Palmeiras muda e elogia Rio Preto

Depois de criticarem a marcação da partida contra a Portuguesa para São José do Rio Preto, jogadores e comissão técnica do Palmeiras mudaram radicalmente de opinião. O contato com a torcida da cidade, que nesta sexta-feira compareceu em número razoável ao Teixeirão para acompanhar ao jogo-treino contra os aspirantes do América, bastou para que o Parque Antártica fosse temporariamente esquecido. "Em nenhum momento em disse que não gostaria de atuar em Rio Preto", jurou Luxemburgo, ignorando com cinismo a postura adorada anteriormente. "Eu só fiquei descontente porque a Portuguesa cedeu o mando de seu jogo para o São Paulo e atuou no Morumbi domingo passado. Não entendi por que essa partida não foi realizada aqui em Rio Preto?". Enquanto tentava se afastar do assédio dos torcedores até com certa truculência, Luxemburgo apelou para as lembranças do passado tentando minimizar os efeitos do discurso da semana. "Acho prazeroso estar em Rio Preto. Aliás, aqui eu ganhei muito mais do que perdi". O zagueiro César preferiu agradar a torcida, que invadiu o campo após o treino com a conivência da segurança local, apelando para a grandeza do clube. Ficou tão empolgado que chegou até a prometer que o time vai dar espetáculo domingo. "O Palmeiras é muito grande e o contato com o público ajuda", enfatizou. "Fiquei contente demais com essa recepção. O único problema é que o campo, apesar de curto, é largo demais. E isso pode facilitar os atacantes adversários que terão mais espaço para jogar". Na arquibancada, as críticas feitas por causa da alteração do local do jogo não foram bem digeridas. Um grupo de torcedores da Mancha Alviverde de Rio Preto gritou o nome dos jogadores o tempo todo, mas reclamou. "Quem está aqui não tem oportunidade de ir regularmente para São Paulo acompanhar as partidas. Os jogadores têm apenas de jogar bola, não ficar dando palpites sobre onde preferem atuar", definiu Rogers, de 18 anos. O treinamento contra os aspirantes do América foi disputado sob um calor de 35 graus. No primeiro tempo, os titulares venceram por 2 a 0, gols de Christian e Arce. Na segunda etapa, com os reservas em campo, o placar foi de 2 a 2. Thiago Matias e Juninho marcaram para o Palmeiras. Para o meia Juliano, a vinda a Rio Preto teve um sabor diferente. Nascido na cidade, acenava para vários torcedores e chamava outros pelo nome enquanto se preparava para dar entrevistas. "Esta é a primeira vez que piso no gramado do Teixeirão. É emocionante. Antes, eu só tinha vindo aqui como torcedor", revelou. Para os amigos da cidade, explicou pacientemente por que jamais atuou pelo América ou pelo Rio Preto, os dois clubes locais. "As chances surgiram em clubes de fora. Fui dispensado por Santos e Ponte Preta antes de chegar ao Palmeiras, em 98". Luxemburgo confirmou que Galeano vai jogar ao lado de Claudecir contra a Portuguesa. Mas nem a palavra do treinador foi suficiente para o volante falar como titular. "Estou na dependência do que o Vanderlei definir. Como eu tive um problema sério no pé, perdi muito do meu ritmo de jogo. Só espero não ter problemas novamente". Quem também apareceu no treinamento de ontem em busca de seus 15 minutos de fama foi Pedro Batista, presidente do América. Desfilava com uma fita VHS debaixo do braço contendo lances do zagueiro Eduardo, revelação da Seleção Brasileira Sub-17 campeã do Mundialito disputado recentemente em Campos. O diretor de Futebol do Palmeiras, Sebastião Lapola, recebeu a fita e desconversou. "O Palmeiras tem prioridade para a contratação deste jogador. Mas não precisamos de fita para conhecer o seu futebol".

Agencia Estado,

15 Março 2002 | 19h28

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