Palmeiras pode ter segurança armada

A ameaça de seqüestro ao presidente Mustafá Contursi, feita por 10 assaltantes que invadiram o Palestra Itália na segunda-feira, foi o assunto de hoje no clube, até mesmo entre os jogadores. Os dirigentes, porém, foram proibidos por Mustafá de comentar o tema com a imprensa. Ninguém quis se pronunciar. A cúpula do Palmeiras tomará providências drásticas nos próximos dias. Está sendo estudada a possibilidade de se terceirizar o trabalho de segurança e até liberar a utilização de armas. Uma sindicância interna pode ser instalada para apurar o caso. A desconfiança é grande de que algum funcionário do clube tenha participado de toda a operação, que durou 1h50. "Não acho que algum ex-funcionário tenha memória tão boa para saber onde ficam todas as coisas no Palestra Itália", disse uma pessoa do clube que pediu para não ser identificada. O boletim de ocorrência, feito no 23.º Distrito Policial de São Paulo, em Perdizes, indicou roubo qualificado. Nele, consta que um indivíduo deixou o local dizendo que voltaria para "para pegar o Mustafá". Segundo o relatório, foram levados cerca de R$ 60 mil, notas fiscais, como as dos jogadores Galeano, Claudecir, Magrão e do técnico Vanderlei Luxemburgo, e notas promissórias de Grêmio, Portuguesa, Fluminense, União São João, somando valor de aproximadamente R$ 5 milhões. "Já pedi o cancelamento das notas fiscais e estou emitindo outras", afirmou Claudecir. Os assaltantes deixaram o local numa picape corsa branca. Para o delegado titular do 23.º DP, Édson Leal, a quadrilha, que invadiu o estádio pela 4.ª vez neste ano, é extremamente organizada e experiente. A polícia segue investigando o caso. Os conselheiros do Palmeiras continuam insistindo para que Mustafá contrate seguranças particulares para evitar que a ameaça seja concretizada. Ele, porém, não mostra disposição para isso. Os palmeirenses já foram vítimas de violência em outras ocasiões. Em setembro de 1999, o atacante Paulo Nunes sofreu seqüestro relâmpago quando deixava o Centro de Treinamento da Barra Funda. No fim do ano passado, um morador de um prédio em Perdizes passou a atirar balinhas de chumbo contra torcedores do Palmeiras em dias de jogos. Preocupado em ser descoberto, desistiu da idéia.

Agencia Estado,

07 Março 2002 | 19h44

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