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ANTERO GRECO

Palmeiras reprovado

O torcedor do Palmeiras deve estar com uma cisma daquelas. O time dele mexeu quase nada na base que fechou 2015 e ainda engordou o elenco com outra penca de contratações. Trata-se do clube brasileiro com maior voracidade nas compras, e superou três dúzias de jogadores desembarcados no Parque em ano e pouco. Como o técnico é o mesmo Marcelo Oliveira, supunha-se que ajustes na sintonia fina lhe bastariam para engrenar rapidamente e sem complicações.

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ANTERO GRECO

29 Fevereiro 2016 | 03h00

Engano. Em oito apresentações oficiais até agora, foram duas vitórias, quatro empates e duas derrotas. Retrospecto suficiente para trazer dúvidas, embora amenizado pelas desculpas de começo de temporada. Aquela história de oscilações normais para o período, condição física precária, adaptação dos que chegaram etc. e tal.

Descontos à parte, preocupam a falta de sistema, a definição de uma maneira de comportar-se, a ausência de surpresas, de jogadas ensaiadas. A elas acrescentam-se erros na marcação, criação irregular e dificuldades na finalização. O Palmeiras de janeiro e fevereiro caracteriza-se por inércia e mesmice, defeitos que o levam a ser óbvio e a enroscar-se contra adversários de menor expressão. Eis o ponto: o Palestra é previsível no seu feijão com arroz.

Também vira presa fácil, se topar com rival com um pingo de ordem. Caso do jogo de ontem com a Ferroviária. A rapaziada de Araraquara tem mostrado que não está para brincadeiras, fez o Corinthians suar uma semana atrás para aguentar empate (2 a 2) e repetiu a dose com o Palmeiras. Com toques rápidos, troca de passes interessante, movimentação constante, desfilou pelo gramado do estádio verde como se fosse o dono da casa, a equipe a ser batida. Inverteu os papéis com os palmeirenses. E se deu bem, muito bem.

A Ferroviária ameaçou e sentiu pressão abaixo do previsto; arriscou mais do que o anfitrião e teve controle dos nervos. Ficou duas vezes em vantagem e tem uma das melhores campanhas do torneio. Pena que deva enfrentar, logo adiante, o fantasma do desmanche por causa de calendário pobre. Por ora, é a sensação da Série A-1 Paulista.

O Palmeiras repete o repertório fraco, sem variações, e vive à base de lampejos individuais. Se Dudu, Robinho, Gabriel Jesus não ousarem, em algum momento, tudo fica modorrento, descamba para a sonolência de sábado depois da feijoada. Nada contra o improviso de craques, ninguém seria tonto a tal ponto. O artista sempre merecerá aplausos. Mas no futebol não dá pra viver na dependência da inspiração. Se o astro não estiver bem, como neste domingo, o coletivo precisa sobressair e compensar. Cadê o jogo coletivo? No Palmeiras ainda não deu as caras.

O teste do final de semana reprovou a companhia alviverde. Na quinta, tem outro, complicado, com o Rosario Central, de novo em casa, e pela Libertadores. Se negar fogo no plano internacional, daí o ambiente esquenta. Quem conhece a alma palestrina sabe como a temperatura sobe fácil.

Fifa x CBF. Contrapontos são interessantes, divertidos e instrutivos. Confrontar ideias ajuda a formar a opinião pública. Na edição de ontem, Jamil Chade revelou que a Fifa vai segurar repasse de grana para a CBF, enquanto não tiver percepção de quadro claro na entidade local. Ou seja, mesmo com a credibilidade no fundo do poço, a dona da bola se assombra com a balbúrdia nacional.

O jornal cumpriu dever de ouvir o outro lado, e eis que desencavou observações curiosas de Walter Feldman. Em resumo, o secretário-geral não considera o fato tão grave, nem recente, e confia em mudança de quadro. Na avaliação dele, a CBF se esforça para mostrar transparência.

Cada um é livre para iludir-se como quiser. Mas, fora a turma de lá, há quem se convenceu de que a CBF entrou nos eixos, após manobra que jogou a presidência – não o poder de decisão – no colo do singelo coronel Nunes, escolhido para segurar a onda de Del Nero? Sempre tem, não é?

O teste diante da Ferroviária deveria servir para mostrar grau da reação verde. Foi mal

 

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