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Palmeiras vota a favor dos clubes do interior e desfaz unidade dos grandes

Wagner Vilaron

Dirigentes de Corinthians, São Paulo e Santos saíram contrariados da reunião que definiu detalhes das quartas de final do Campeonato Paulista, ontem, na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF). E o alvo do descontentamento era o mesmo: o presidente do Palmeiras, Arnaldo Tirone, que decidiu contrariar o interesse dos coirmãos e votou com os clubes menores em favor da divisão da renda em meio a meio. Os três grandes defendiam que o modelo do ano passado fosse mantido, com 60% para o vencedor.

Coincidência ou não, o Palmeiras é o único entre os clubes mais tradicionais que terá de jogar fora. Como ficou em quinto lugar na primeira fase, vai enfrentar o Guarani (4º) no Brinco de Ouro, em Campinas. “Quem votou para 60% a 40% pode achar que já vai ganhar o jogo. E para mim o que importa é o equilíbrio. É claro que o Palmeiras vai entrar para vencer a partida, mas também pode acontecer de não vencer”, explicou Tirone.

O dirigente palmeirense, por mais de uma vez, ressaltou que seu posicionamento não tem a ver com eventual pessimismo em relação ao futuro do time na competição. “Trata-se de uma questão de justiça. Todos precisam desse recurso. Acho normal. Antes era 60% por 40%, agora 50% por 50%, a diferença não importa, está mais equilibrada.”

O presidente do Corinthians, Mário Gobbi, não conseguiu disfarçar o descontentamento com a divisão da renda. “Nós, o Santos e o São Paulo optamos por ser 60% a 40%, mas o Palmeiras não quis e votou com os times do interior. Temos de aceitar”, afirmou o cartola. “É claro que não esperávamos por isso (a mudança). Viemos para cá com a ideia de que seria mantido o mesmo sistema adotado no Campeonato Paulista do ano passado. Mas não foi bem assim.”

A justificativa do presidente do Santos, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, para que o vencedor ficasse com 60%, mostra que na Vila o otimismo é grande sobre o confronto com o Mogi Mirim. “O time que ganha paga premiação, então seria justo uma cota maior para o vencedor, mas vamos seguir como está”, argumentou o santista.

Do outro lado da sala, representantes dos clubes do interior, casos de Guarani, Mogi Mirim, Bragantino e Ponte Preta, rebatiam dizendo que, se os clubes grandes ainda não atingiram seus objetivos no Estadual, os pequenos já têm metas cumpridas por chegar à fase eliminatória e, portanto, têm premiações a serem pagas aos jogadores.

“O Guarani passa pela pior crise financeira de sua história. Precisamos muito desses recursos. Inclusive faço um apelo para que o torcedor venha com a camisa do Guarani e peça para pagar inteira e não meia”, afirmou o presidente do clube, Marcelo Mingone.