Daniel Rodrigo/Reuters
Daniel Rodrigo/Reuters

'O Brasil é bom demais para sofrer com altitude', diz ex-corintiano Arce

Titular da seleção boliviana vê adversários como favoritos e critica excesso de temor com os 3,6 mil metros acima do mar de La Paz

Ciro Campos, enviado especial a La Paz, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2017 | 07h00

A Bolívia assusta apenas na altitude. Nestas Eliminatórias a seleção só somou pontos quando jogou em casa, mas na opinião do atacante Juan Carlos Arce, diante do Brasil do técnico Tite e liderado por Neymar, nem mesmo os 3,6 mil metros acima do nível do mar devem ser capazes de oferecer alguma resistência aos líderes da competição no encontro da próxima quinta-feira.

* Passado da seleção em La Paz: mal-estar coletivo e canja de galinha

O diagnóstico pessimista do jogador que passou pelo Corinthians em 2007 se baseia na qualidade dos adversários. "Todos falam da altitude, mas vejo que a maioria das seleções vêm para cá e joga de igual para igual. Essa questão tem muito mais peso de mito do que de realidade. Acho que o Brasil não vai ter esse inconveniente, porque pelos jogadores que tem, pode fazer um grande jogo", afirmou em entrevista ao Estado.

Arce atualmente defende o Bolívar e já está ambientado à altitude. O ar rarefeito é um desafio à ambientação até mesmo de colegas de seleção que não moram na cidade e é o principal temor do Brasil para o jogo. A fragilidade da seleção boliviana, goleada pelo Brasil no ano passado por 5 a 0 em Natal, não inspira tantos cuidados quanto as condições de La Paz.

O atacante avalia que a preocupação brasileira é exagerada. "Creio que a questão de altitude traz um grande peso psicológico. Outras seleções estiveram aqui e conseguiram ganhar, jogando de igual para igual. A altitude se sente, é claro, mas não chega a ser um empecilho para jogar futebol. No esporte temos totais condições de superar esses problemas", explicou.

Nestas Eliminatórias a Bolívia bateu em casa equipes favoritas como Argentina e Chile e longe de La Paz perdeu todas as partidas. A campanha teve grandes percalços. A seleção trocou duas vezes de técnico e foi prejudicada pela escalação de um jogador irregular. Como punição, a equipe perdeu os pontos conquistados em dois jogos.

Por não ter mais chance de ir à Copa, a Bolívia terá a possibilidade de ao menos na última partida como mandante, desfrutar da presença da seleção brasileira. "Estou feliz por saber que temos um jogo marcante contra o Brasil, diante de jogadores importantes em nível mundial. A grande expectativa na Bolívia é saber que o Brasil vem com a equipe completa. A partida será uma festa para o público, pela chance de ver de perto os craques", afirmou.

A idolatria prevista por parte da torcida abre uma brecha para a Bolívia sonhar com a façanha de tirar pontos do Brasil. "Sabemos que vamos enfrentar possivelmente a melhor seleção do mundo e tentaremos fazer uma grande partida. Podemos ter chance de empatar, quem sabe", disse Arce.

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