Para jornal, Inglaterra deu muita sorte em perder Felipão

O jornal britânico The Guardian traz um artigo na sua edição desta quinta-feira no qual afirma que os representantes da "Federação Inglesa podem estar se sentindo agora uns bufões, mas eles não sabem a sorte que deram" com a recusa do treinador brasileiro Luiz Felipe Scolari, que atualmente dirige a seleção de Portugal, em ter aceito o comando da Inglaterra. Segundo o jornal, "Felipão e a imprensa britânica eram uma catástrofe esperando para acontecer", devido ao estilo "linguarudo" do técnico. O diário cita algumas declarações polêmicas já feitas pelo treinador campeão do mundo em 2002. Entre elas, a entrevista que concedeu em 2001 ao jornal mexicano La Cronica, na qual Felipão teria dito que não gostou do Kuwait devido ao fato de que no país árabe havia muitos homossexuais. O Guardian cita uma passagem da entrevista do técnico na qual ele teria dito: "Não gosto de ver tantos gays assim. Se descubro que um de meus jogadores é gay, eu rapidamente me livro dele". O jornal tece comparações com Glen Hoddle, um ex-técnico da seleção inglesa que perdeu o posto ao dizer acreditar que deficientes físicos eram pessoas que haviam cometido atos ruins em outras encarnações. O diário imagina uma cena constrangedora, na qual um jornalista poderia indagar ao presidente Tony Blair se ele estaria de acordo com a visão de Felipão sobre homossexuais. Para o Guardian, Scolari é um "brasileiro machão que acredita que homens são homens, vacas são café da manhã e Pinochet era um sujeito legal". O jornal conclui dizendo que a federação inglesa "deveria estar abrindo uma garrafa de champanhe".

Agencia Estado,

04 Maio 2006 | 10h54

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