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Para melhor servir

Lembra daquelas placas que se encontravam em estabelecimentos comerciais e diziam mais ou menos o seguinte: “Caro cliente. Desculpe o transtorno. Estamos em reformas para melhor servi-lo”? Era praxe para justificar o desconforto da freguesia. Deve haver uma ou outra perdida por aí.

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Antero Greco

04 Março 2016 | 03h00

Pois bem, o Corinthians parece ter colocado aviso semelhante na porta do vestiário. Desde o início do ano, o campeão brasileiro passa por transformação provocada por debandada geral e ainda assim deixa no ar perspectiva de versão aprimorada. Se vai cumprir a promessa ou se ficará na intenção, o tempo dirá.

Não se compensa da noite para o dia a saída simultânea de gente como Gil, Ralf, Renato Augusto, Jadson, Vagner Love, todos titulares da equipe que conquistou o hexa nacional. No entanto, seja por sorte, por trabalho, por competência – ou miscelânea disso tudo –, a missão de Tite até agora se desenha mais serena do que se imaginava.

Para tanto, contam os bons resultados no Paulista e na Libertadores. Não adianta pedir paciência para torcida e crítica, se houver coleção de tropeços. A concordância fica só na base da boca pra fora. Na prática, todos querem ver time forte – logo e sempre –, independentemente de compras e vendas. Aí está o Palmeiras para provar: mal a temporada deu a largada, e Marcelo Oliveira e rapazes já andam pressionados.

Mais fácil mexer, experimentar, consertar, quando se enfileiram vitórias ou empates. No caso corintiano, resultados são isso mesmo, os placares, a sucessão de 1 a 0. Não significa que Tite tenha a companhia pronta para 2016. Ele, colaboradores e os próprios jogadores têm consciência disso. 

O Corinthians por enquanto faz sombra à versão 2015. Erros de passe se repetem, não se alcançou equilíbrio entre ataque e defesa, o meio-campo acusa a queda causada pela emigração de talentos. O desempenho diante do Independiente Santa Fe atesta as limitações atuais. Se os colombianos fossem pouca coisa mais atrevidos, teriam roubado pontos no Itaquerão. A torcida percebeu as dificuldades.

Uma pincelada rápida nos setores alvinegros mostra que os trabalhos cumprem o organograma. No gol, no problems, Cássio continua a dar conta do recado, é dono do pedaço, tem aprovação ampla e irrestrita. Logo à frente dele, para proteger a cidadela (não resisti à tentação de usar palavra que remete a eras singelas do rádio esportivo), Fagner, Felipe, Yago e Uendel afinam o entrosamento. Até aqui, raros os episódios em que bateram cabeça.

No meio e no ataque, as vagas estão abertas. Bruno Henrique esforça-se para exercer as múltiplas funções de marcação de Ralf, enquanto Willians aos poucos se submete ao crivo do técnico. Rodriguinho, Giovanni Augusto, Marlone, Maycon e mesmo Guilherme e Lucca brigam por duas ou no máximo três vagas. E, claro, se leva em conta que Elias tem lugar cativo. Mais adiante, André tem vantagem, com Luciano e Romero a correr por fora.

O Corinthians não tem elenco de primeiríssima grandeza. E, justiça se faça, nem passou por testes de fogo – o mais complicado foi contra a Ferroviária e suou um bocado para empatar. A projeção de provas de fogo aponta a segunda fase do Estadual e a partir dos mata-mata na Libertadores. Até lá, Tite espera ter clara a ideia do bloco dos titulares e conta com definição de esquema.

Por ora, joga-se para o gasto. E, sem iludir ninguém, é fato que time ao menos não decepciona. A catástrofe anunciada não se concretizou.

SELEÇÃO

A cada convocação, Dunga reforça a sensação de grupo fechado. Bom, para consolidar proposta de seleção; ruim, se for tropa monolítica. Com mais de dois anos para o Mundial da Rússia, precisa manter-se aberto para experiências e modificações. Para não repetir o erro de 2010, quando ignorou novidades como Neymar e Ganso e constatou que o elenco era limitado na hora em que não viu ninguém no banco para virar o jogo na eliminação para a Holanda.

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