Parreira justifica rótulo de professor

Uma das armas do Corinthians para tentar vencer o São Paulo, neste domingo, em Presidente Prudente, estará no banco de reservas, e não entrará em campo, seja qual for a circunstância do jogo: o técnico Carlos Alberto Parreira. Há três meses no Parque São Jorge, o treinador justifica o rótulo de ?professor?, como é chamado pelos jogadores. Culto e educado no relacionamento com os atletas, Parreira é um gentleman no contato diário com a imprensa. Não perde a paciência com nenhum tipo de pergunta, por mais instigantes que sejam e raramente está mal-humorado. ?Seu caráter é exemplar?, define o zagueiro Fábio Luciano, que conheceu Parreira no Internacional, de Porto Alegre, pouco antes de o jogador retornar para o Corinthians. ?Entende futebol e trata cada jogador com respeito e consideração.? Parreira disse que seu temperamento sempre foi muito equilibrado, por isso não perde a paciência com ninguém. ?O respeito está acima de tudo. Da mesma forma que não gosto que gritem comigo, jamais eu terei esse tipo de reação com alguém. Prefiro o diálogo. Não sou adepto da linha dura?, ressaltou Parreira, que na maioria das vezes dá entrevistas como se estivesse ministrando aulas de futebol, tal o seu conhecimento. O treinador afirmou que não tem o hábito de reunir os jogadores no centro de campo, em dia de treino, para chamar a atenção do time. ?Não sou de ficar gesticulando para os jogadores, só para aparecer na imprensa como se estivesse chamando a atenção dos atletas. Prefiro conversar com eles no vestiário. É lá que a gente discute o que aconteceu de errado na partida anterior. O mesmo procedimento tenho se tiver de falar a sós com um atleta?, explicou. O técnico ressaltou que não tem problemas de indisciplina no elenco, e se considera respeitado pelo grupo. Um dos motivos que faz prevalecer sua autoridade, sem a necessidade de impor a liderança, é o seu currículo, com seis participações em Copas do Mundo, um título conquistado com a seleção em 1994, além de fazer parte do grupo de observador-técnico da Fifa. ?Sem dúvida que a minha experiência no futebol e a posição que felizmente alcancei tem me proporcionado o respeito dos atletas. Acho que um treinador jovem teria dificuldade para superar os problemas que normalmente ocorrem em um clube grande.? Ao ser contratado pelo Corinthians, com o apoio da Hicks Muse, Parreira não pediu reforços de primeira linha, e ainda perdeu Luizão e Luís Mário, que, beneficiados por decisões na Justiça do Trabalho, deixaram o Parque São Jorge. As únicas contratações foram o meia-atacante Fumagalli e o atacante uruguaio Santiago Silva. O primeiro já estava sendo negociado antes da chegada do treinador. Quanto a Santiago Silva foi uma experiência da diretoria, que, com o auxílio de fitas de videocassete, contratou o atacante. ?Não vim para o Corinthians com fórmula elaborada. Disse aos jogadores que eles mesmo mostrariam qual seria o melhor esquema. Após algumas experiências chegamos à conclusão que o melhor seria atuar com três atacantes. Por enquanto, está dando certo.?

Agencia Estado,

29 Março 2002 | 20h01

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