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Partidas beneficentes de Lionel Messi sob investigação da polícia

O Estado de S. Paulo

08 Junho 2014 | 15h 15

Transações envolvendo jogador argentino na mira das autoridades

Um departamento de elite da Polícia Civil espanhola investiga o envolvimento de Lionel Messi em transferências bancárias enviadas a empresa "G. Marín-Messi" no paraíso fiscal de Curaçao, Caribe. Segundo o jornal espanhol El País, a renda arrecadada em jogos beneficentes organizados pelo jogador do Barcelona  entre 2012 e 2013, não teve como destino às instituições de caridade, mas sim contas particulares.

Os comprovantes dessas transferências contém anotações manuscritas e sugerem que o destinatário do dinheiro foi a empresa "G. Marín-Messi". Guillermo Marín é a pessoa a quem Messi delegou o gerenciamento de suas partidas beneficentes, denominadas Messi e seus amigos contra o resto do mundo.

Eduardo di Baia/AP
Partidas beneficentes organizadas por Lionel Messi estão sob investigação da polícia espanhola

O Juizado de instrução 51 de Madrid já abriu investigações, separadas do processo ajuízado recentemente pela Agência Tributária da Espanha contra Messi, pela não declaração de pagamentos referentes aos seus direitos de imagem. O camisa 10 da seleção argentina depositou cinco milhões de euros em um tribunal para atenuar a responsabilidade penal no julgamento que ocorrerá em breve na cidade de Barcelona.

As primeiras investigações apontam que, embora tenham sido divulgados como ações beneficentes, na realidade os jogadores que participaram dessas partidas foram pagos. E que alguns desses pagamentos foram enviados ao paraíso fiscal de Curaçao.

Cinco comprovantes bancários que mostram o destino incerto desses pagamentos foram enviados à Policia Civil pela empresa colombiana Total Conciertos, responsável por organizar as partidas em Bogotá, Colômbia, em 21 junho de 2012. Os documentos revelam que a Total Conciertos enviou, de forma fracionada, aproximadamente R$ 3,7 milhões a uma conta que tem a empresa Mandatos Velineg SRI como titular em um banco chamado First Caribbean International Bank, em Curaçao.

PAGAMENTOS

Nos comprovantes existem anotações manuscritas nas quais estão grafados: "pagamento G. Marín-Messi", e os respectivos valores. Guillermo Marín é amigo da família Messi e responsável pela empresa Imagen Deportiva, encarregada  pelo gerenciamento desses jogos beneficentes. Tanto Messi como seu pai, Jorge Horacio Messi Pérez, já prestaram depoimentos às autoridades. Reconhecem a relação com Guillermo Marín e que o mesmo gerenciou essas partidas. Ambos afirmam que não houve lucro pessoal nessas partidas, tendo em vista que elas eram beneficentes.

No entanto, o advogado da Total Conciertos, na Espanha, entregou à Policia Civil os comprovantes das transferências bancárias que endossam a existência de pagamentos aos jogadores e ao próprio Messi. Também faz parte da investigação um sexto comprovante que revela uma outra transferência de R$ 224 mil à sociedade ITS Viajes S.A., da Argentina. Este último montante, segundo os investigadores, foi destinado ao pagamento dos bilhetes de avião dos jogadores que participaram das partidas.

Messi, porém, fez questão de enfatizar que sua relação com Guillermo Marín é exclusivamente profissional. "É um empresário argentino que conheço desde 2006 e que organiza as partidas de minha Fundação, a Lionel Messi. Não há nenhuma relação entre ele e minha Fundação. Quem o contata é meu pai". O jogador esclareceu ainda que nessas partidas, o destino do dinheiro arrecadado foi sua Instituição e depois destinado a fins sociais. Os jogos sob investigação foram realizados em 2012 e 2013 em Cancún e Quintana Roo, México, Bogotá e Medellín, Colômbia, Lima, Peru, Los Angeles e Miami, Estados Unidos.

Assim como Messi, os jogadores do Barcelona que o participaram desses jogos, como Daniel Alves, Mascherano e José Manuel Pinto, negaram o recebimento do dinheiro dessas partidas, mas confirmaram que foram pagos os deslocamentos e a hospedagem. Jorge Horacio Messi Pérez, pai de Messi, ressaltou que parte do dinheiro do jogo de Bogotá foi destinado à Fundação Lionel Messi e, por meio dela, à Unicef Colômbia. A suspeita é de que tenham sido desviados aproximadamente R$ 3,5 milhões.