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Pegadinhas do Paulista

Antero Greco

Um dos argumentos para desqualificar a importância dos campeonatos Estaduais toma como parâmetro o nível técnico – em geral baixo. Observação procedente. Também se ressalta a decadência das competições no apelo popular. Constatação óbvia, embora com exceções, como Palmeiras e Corinthians, com ocupação muito boa dos respectivos estádios. Ou seja, rivalidades domésticas tendem a ser varridas para baixo do tapete.

Mas são cascas de banana tremendas, sobretudo para os times grandes, que têm pouco a ganhar e muito a perder. Tome o Paulistão, por exemplo. A longa fase de classificação mal chegou a um terço do caminho e já espalhou por aí pegadinhas na vida de gente graúda. 

A quinta rodada colocou pressão sobre Palmeiras e São Paulo, que entraram em campo a pisar em ovos. O primeiro emperrou em casa, no clássico de sábado à tarde com o Santos. O outro se safou de nova seção de vaias no Pacaembu com de vitória apertada, na conta do chá, diante do Rio Claro. No meio da semana tem mais cobrança, com jogo atrasado dos são-paulinos.

Alviverdes se esborracham para sair da contracorrente; no momento, tarefa de difícil execução. O desempenho no clássico com os santistas foi de dar raiva. Ou de arrancar gostosas gargalhadas dos rivais. A turma de Marcelo Oliveira teve a proeza de dar um chute a gol. Passou 90 e tantos minutos para construir uma jogada que resultasse em finalização. O goleiro Wanderlei sujou o uniforme por causa do pé d’água.

Nem o toró serviu para justificar a anemia ofensiva do Palmeiras. Assim como havia ocorrido em jornadas anteriores – São Bento, Oeste, Linense –, saltou aos olhos a pobreza na criação verde. O treinador mexe, muda, coloca um punhado do montão de jogadores do elenco e não acontece nada. Raras as triangulações, esporádicas as trocas de passe criativas, eventuais os chutes.

O Palmeiras está um catadão – e o torcedor começa a perder a paciência. Marcelo Oliveira precisa mudar o discurso moderado e partir para a ação. Tem crédito pelo título da Copa do Brasil; porém, este pode evaporar, se a equipe continuar na toada atual. Com a agravante de que a massa palestrina teme fiasco na Taça Libertadores.

Não foi com peso diferente do coirmão enrascado que o São Paulo pisou na grama do Pacaembu no final da tarde de ontem. O público, pequeno para ver a reestreia tão aguardada de Lugano, mostrou-se inquieta, sentiu o comichão de cornetar e não teve dúvidas em vaiar a turma de Edgardo Bauza depois de primeiro tempo raquítico.

O pessoal tricolor gastou 45 minutos e uns quebrados para testar a pontaria uma miserável vez contra o gol do Rio Claro. Parecia repeteco da partida com The Strongest, pelo campeonato sul-americano: toquinhos pra lá e pra cá, algumas bolas longas de Ganso, várias trombadas de Centuriòn, Carlinhos, Calleri, Mena e companhia.

O desenho do vexame foi borrado pelo gol de Rodrigo Caio, um dos que se salvam das oscilações de início de temporada. A entrada de Wesley na vaga de Centuriòn aumentou a presença de área. Não que Wesley tenha feito muito; jogou o feijão com arroz habitual. O atacante argentino é que não havia feito nada.

O São Paulo carece de vibração, fibra, alma. Não vale dizer que é sangue-frio. Isso funciona em situações extremas, que exijam autocontrole e atenção. No caso, soa como inapetência, distração. A situação é tão estranha que a galera aplaudiu Lugano por receber cartão amarelo. O capitão fez falta dura num ataque do Rio Claro, mas o gesto foi interpretado como garra. Feia a coisa...

O Corinthians vai bem, obrigado, por graça e obra da série de vitórias na largada de 2016. Mesmo assim, passou por sufoco tremendo, no início da noite de ontem, e suou para sustentar empate por 2 a 2 com a Ferroviária. O jogo mais divertido do final de semana. Pela primeira vez, topou com adversário exigente e deixou entrever falhas no sistema defensivo. Aspecto para Tite corrigir logo.

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