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Copa 2014

Pekerman, o homem que 'arrumou' a Colômbia

Luís Augusto Monaco - Enviado especial - O Estado de S. Paulo

01 Julho 2014 | 05h 00

Técnico argentino José Pekerman impõe disciplina e dá confiança aos jogadores da seleção que brilha no Mundial

O técnico argentino José Pekerman é um homem calmo, que fala baixo e detesta polêmicas. Mas, sem alarde, colocou ordem na historicamente bagunçada casa colombiana, e hoje é ídolo em um país que voltou a ter orgulho de sua seleção.

Qualidade técnica é algo que nunca faltou aos jogadores colombianos do final da década de 80 para cá. Faltavam juízo e disciplina para transformar grupos talentosos em times mentalmente fortes, que não perdessem para si mesmos em momentos decisivos. E Pekerman deu isso à seleção.

Quando foi convidado para assumir o cargo, no início de 2012, disse, com firmeza, ao presidente da Federação Colombiana de Futebol, Luis Bedoya, que não aceitaria interferência de dirigentes na hora de fazer as listas de convocados – algo que era comum na Colômbia e que ele havia sentido na pele quando dirigiu a Argentina, porque Julio Grondona (presidente da Associação de Futebol Argentino) vivia dando palpites sobre quem deveria ser chamado.

Nilton Fukuda/Estadão
Pekerman assumiu a Colômbia em 2012

Depois, formou uma comissão técnica argentina. Gente acostumada a trabalhar com ele, com o mesmo perfil de seriedade. E, desde o primeiro encontro com os jogadores, estabeleceu regras com as quais eles não estavam acostumados. Uma delas foi proibir a entrada de empresários e parentes nos locais de treino e nas concentrações. Também acabou com as "panelinhas" e deixou claro que não admitiria estrelismos. Quem se colocasse acima do grupo ou não mostrasse comprometimento deixaria de fazer parte de seus planos.

Ganhou a admiração dos atletas mostrando que compraria qualquer briga por eles. Exigiu melhorias na estrutura do centro de treinamentos e bancou uma redistribuição nos assentos ocupados pela delegação em viagens de avião. Antes, as poltronas da classe executiva eram ocupadas pelos dirigentes da Federação e seus convidados. Os jogadores iam, espremidos, na classe turística, misturados a jornalistas. Com Pekerman, não. Os melhores lugares são para os jogadores, depois sentam-se os integrantes da comissão técnica e, nas filas do meio da aeronave para trás, se concentram dirigentes, convidados, patrocinadores e jornalistas.

Uma das chaves do método do treinador é o trabalho psicológico. Com a ajuda do psicólogo desportivo Marcello Roffé – também argentino –, convenceu os colombianos de que, jogando coletivamente, eles podem encarar qualquer adversário. E que a organização tática é fundamental para a equipe impor sua forma de jogar.

O resultado mais visível da contribuição de Pekerman à seleção apareceu sábado, no Maracanã. A Colômbia estava a uma vitória de um feito histórico (a classificação pela primeira vez para as quartas de final), entrava com o peso de ser favorita e tinha pela frente um adversário com mais tradição e mais experiência em jogos de alta tensão. Mas manteve a cabeça fria e a organização do primeiro ao último segundo.

TREINO

Os jogadores titulares nem pisaram no campo ontem, no CT do São Paulo em Cotia. Enquanto os reservas treinavam com bola, eles faziam exercícios físicos na academia.

Hoje, todos treinarão pela manhã, e, às 16h, a delegação embarcará para Fortaleza – local da partida de sexta-feira contra o Brasil. Amanhã, o treinamento será a portas fechadas.

Um dos escalados para dar entrevista ontem (o outro foi o atacante reserva Adrián Ramos), o volante Carlos Sánchez mostrou o quanto o elenco acredita em sua força. "Temos armas que nos permitem continuar sonhando com o título. Sabemos que o Brasil é muito forte e tem excelentes jogadores, mas podemos ganhar."

Ele se negou a falar se Neymar merece marcação especial. Seguindo a cartilha de Pekerman, Sánchez respondeu da seguinte maneira: "Não vamos jogar contra o Neymar, vamos jogar contra o Brasil".

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