Perigoso paparico

Neymar precisa demonstrar maturidade, apesar de tanto paparico ao redor em Paris

O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2017 | 03h00

Neymar é um jovem de sucesso. Rico, passa os dias cercado por pessoas que para ele trabalham, dos que cuidam de seus milionários contratos até os “parças”, versão moderna das “damas de companhia” que serviam rainhas já na Idade Média. Afinal, o craque é tratado como um rei, e se quiser alguém será capaz de lhe providenciar um “bobo da corte”, até.

A mudança do Barcelona para o Paris Saint-Germain o elevou no ranking dos “pop star” da bola. Até a Torre Eiffel o reverenciou! Em alguns momentos no Campeonato Francês, rivais dão sinais de que desejam contemplar tanto talento e zagueiros parecem querer sair da sua frente, como no sexto gol contra o Toulouse.

Mas a mudança mexeu com Neymar. Se ao lado de Messi & Cia. ele era um parceiro do melhor do mundo, que precisava se adaptar ao jogo coletivo, em Paris faz o que bem entende. E isso só funciona quando marcadores agem como tietes que temem ferir o ídolo.

O comportamento contra o Equador chamou a atenção. Nervoso, tentou resolver jogadas sozinho e carimbar a bola sempre, com a pelota passando por seus pés nas ações ofensivas quase que obrigatoriamente. Não chegou a ser um problema para o time de Tite, mas desta vez Neymar passou longe de ser a solução.

Os 2 a 0 foram construídos sem a participação do principal jogador. Algo positivo, afinal, a seleção brasileira mostrou que tem outros atletas capazes de resolver jogos contra defesas fechadas, como foi a equatoriana em Porto Alegre. Contudo, diante de adversários de outro calibre, o camisa 10 precisará aparecer.

Neymar tem de ser a referência técnica que resolve as paradas mais complexas, atrai a marcação, preocupa rivais e tira coelhos da cartola. Não precisa chamar o jogo todo o tempo, muito menos voltar a arriscar dribles inúteis, longe da área, que não o fazem avançar, apenas desmoralizam (e irritam) adversários.

E eles podem se tornar violentos, como na tesoura que Fidel Martínez lhe aplicou. Quando abre a defesa na direção do gol, vemos o talento como ferramenta para a vitória. Mas a jogada abusada e inútil, que arranca aplausos, mas não conduz a lugar algum, expõe o craque às pancadas e podem colocá-lo, sim, no caminho da maca.

Não se trata de conter o talento, mas ter inteligência e usar a experiência para aplicá-lo melhor. Aprendeu na Espanha ao lado de Messi, cujos dribles são invariavelmente objetivos, criando atalhos rumo às redes adversárias. Sem presepada, sem provocações infantis, sem imaturidade. Neymar parece sofrer uma recaída, aparente reflexo de tanto paparico, com tudo girando ao seu redor. Se no PSG isso não vai mudar, cabe à seleção fazê-lo enquanto é tempo. A Copa se aproxima e nela será bom contar com um craque nas quatro linhas. Não um “reizinho”.

AMEAÇA QUE CRESCE

Mesmo desfalcado, o Grêmio massacrou o Sport: 5 a 0. A diferença gremista para o Corinthians caiu: sete pontos. E seria menor não fosse a insistência de Renato Gaúcho em poupar todos os titulares em tantos jogos da Série A. Fora da Copa do Brasil, ele parece ter mudado de ideia e pode se firmar como ameaça real ao líder. 

A CRÍTICA À CRÍTICA

No alto da capa, em editorial, o jornal “Extra”, do Rio de Janeiro, anunciou que não mais se referirá a Alex Muralha pelo apelido, devido às suas falhas no gol do Flamengo. Exagerou o diário carioca, com destaque desproporcional. Mas nem toda crítica se caracteriza por “desrespeito” e “perseguição”. É mais uma perigosa generalização.

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