Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Esportes

Esportes » Pés à obra

Futebol

 

Pés à obra

O ano para Edgardo Bauza e grande elenco tricolor começa para valer na noite de hoje, no Peru. O trabalho do técnico argentino e dos jogadores com os quais conta, ao menos por enquanto, passa pelo primeiro crivo no duelo com o Cesar Vallejo válido pela fase preliminar da Libertadores. O que foi feito em um mês, até aqui, fica na conta dos ensaios.

0

ANTERO GRECO

03 Fevereiro 2016 | 03h00

Por que tanta importância para as partidas com a equipe peruana? (Bom lembrar que tem a volta, na Quarta-feira de Cinzas, no Pacaembu.) Porque do sucesso delas depende o planejamento do São Paulo para 2016 inteiro. A presença na fase de grupos do torneio continental condiciona futuro técnico, financeiro e estratégico do clube. Abre-se a perspectiva do quarto título, tanto sul-americano como mundial. Ou seja, responsabilidade enorme para Bauza e rapazes.

Para os que veem nas estatísticas a representação dos desígnios divinos, sobram motivos de esperança. Até agora, houve 17 ocasiões em que times brasileiros tiveram de passar pela peneira da etapa prévia, e apenas uma vez pisaram na bola. Sim, sim, foi em 2011, no episódio do Corinthians com o Tolima. Ou seja, a turma daqui se livra bem demais desse obstáculo protocolar. Não seria o São Paulo a quebrar a sequência favorável.

Bauza não se fia nos números, no que faz muito bem, pelo menos neste caso. Para não levar bola nas costas, não cair do cavalo e não falhar no teste inicial, insiste na tecla de que precisa de trupe compacta. Em tradução simples: time forte na marcação, carrancudo na defesa. Não é à toa que o setor merece atenção desde que desembarcou no Morumbi. O treinador deseja ainda mais gente para a zaga.

Aceitável a argumentação de Bauza, que se informou logo a respeito dos altos e baixos ocorridos em 2015. Trata-se, além disso, de concepção que tem de eficiência no futebol. O argentino promete, porém, que não apelará para a retranca, que os cuidados com o sistema defensivo não significam recorrer ao auxílio de faltas, pontapés e catimba. Tomara, pois vez ou outra se nota que jogadores são-paulinos têm confundido garra com nervosismo, atenção com reclamações. Não é por aí que se encontra o caminho do sucesso.

Mas, vá lá, dadas a emergência e as circunstâncias, se aceita no momento uma forma menos bonita e mais prática. O São Paulo não tem muito espaço para erros – e se vê obrigado a atingir nível satisfatório de eficiência em uma semana. Superado o Cesar Vallejo – e boto fé total nisso –, entra-se na etapa do aprimoramento e as cobranças por futebol de qualidade existirão. Agora, imediatamente, o negócio é pés à obra.

Morte prematura. A tragédia ocorrida com Cláudio Canavarros, do XV de Piracicaba, renova a discussão em torno dos exames preventivos aos quais se submetem atletas, sobretudo em início de temporada. A morte de um rapaz de 21 anos, e que se supunha tivesse saúde perfeita, levanta dúvidas – e assim tem de ser.

Fica difícil refutar a tese da fatalidade e, claro, acidentes acontecem. Mas as causas têm de ser investigadas, é necessário manter o debate e não simplesmente enterrado com o corpo do pobre moço. As baterias de testes atuais bastam? Há aspectos relegados? Os laboratórios utilizados são de ponta? Economiza-se nos gastos com saúde do elenco? Não se trata de acusar ninguém, assim como não se pode digerir explicações rotineiras, que se limitem à casualidade.

Tela dividida. Fato novo está a ponto de tornar-se realidade na relação entre clubes e emissoras de televisão. Santos e Atlético-PR praticamente fecharam acordo de cessão de direitos de transmissão para o Esporte Interativo, em tevê a cabo, a partir de 2019, segundo informações do blog do repórter Rodrigo Mattos. Outros podem seguir estrada idêntica. Se isso ocorrer, abre-se brecha para a diversidade – e com isso têm a ganhar clubes, torcedores, anunciantes e, por que não?, as próprias tevês.

Para o São Paulo, 2016 começa de fato hoje, com o primeiro jogo por vaga na Libertadores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

Comentários

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.