Picerni curte a família em Vinhedo

Enquanto a direção do São Caetano reunia toda a imprensa para comunicar a saída "amigável" do técnico Jair Picerni, ele aproveitava a tarde de folga para curtir a família em Vinhedo, distante 60 kms da capital. Picerni passou na maternidade para ver a neta Daiana e depois acompanhou a esposa Ivonete às compras. "É bom para esquecer um pouco o futebol para esfriar a cabeça. Depois vamos continuar a vida e pensar para frente", disse o técnico, que ficou emocionado ao ver a primeira neta - ele já tem dois netos - que nasceu na quarta-feira, um dia que se pudesse apagaria do calendário. Picerni voltou a dizer que, como técnico, assumia a responsabilidade pela perda do título da Copa Libertadores. E confirmou que deixou os dirigentes à vontade para tomarem qualquer decisão, até mesmo a sua demissão. "Se a diretoria entendeu que é melhor para o clube, então, tudo bem. Não posso reclamar de nada, porque eles sempre me trataram bem. O São Caetano é um clube excepcional", analisou. Sem esconder a tristeza pela situação, Picerni fez de tudo para evitar o assédio da imprensa. "É duro falar nessas horas. Vou explicar o quê? Infelizmente, perdemos um título que estava nas nossas mãos". Para fugir do dever de dar tanta explicação ele desligou o celular e tirou o telefone do gancho. Fred Smânia, auxiliar de Picerni e que atuou como espião durante a Libertadores, também faz um grande esforço para esquecer a decepção causada pela perda do título. Ele ficou praticamente dois dias sem dormir e nesta sexta-feira foi até a fazenda de um amigo, em Americana, onde esperava tirar da cabeça os pensamentos negativos causados pelo inesperado tropeço no Pacaembu. "É difícil a gente aceitar uma derrota desta". Sobre a saída de Picerni, o auxiliar lamentou com uma constatação irônica: "Ao mesmo tempo que o futebol nos dá tanta alegria, nos causa decepção. Neste ponto, o futebol é ingrato", concluiu. Assim como o amigo Picerni, Smânia também está desempregado.

Agencia Estado,

02 Agosto 2002 | 17h39

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