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Copa 2014

Polícia busca tubarões do esquema de fraude

Jamil Chade, Tiago Rogero - Enviados especiais ao Rio de Janeiro - O Estado de S. Paulo

06 Julho 2014 | 05h 00

Suposto chefe da quadrilha que vendia ingressos de forma ilegal, desbaratada no Brasil, ainda não foi preso

O milionário esquema de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo, liderado por um integrante da Fifa, passou incólume pela Interpol e pelas polícias de França (1998), Coreia do Sul e Japão (2002), Alemanha (2006) e África do Sul (2010). Mas acabou esbarrando em uma delegacia do Rio de Janeiro. Com as 11 prisões da operação Jules Rimet, entre elas a do franco-argelino Lamine Fofana, figurinha carimbada no meio da bola, a 18.ª DP superou, de uma só vez, seu total de detenções de 2014.

A delegacia fica numa rua residencial da Praça da Bandeira, a menos de 2 quilômetros do Maracanã. Na recepção, para quem espera atendimento, revistas e jornais sobre uma mesa. Não chega a parecer um consultório de dentista, claro.

Até a operação deflagrada na terça-feira, a delegacia havia prendido em 2014 dez pessoas, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), cujo último balanço é de maio. A ocorrência atendida com maior frequência na 18.ª DP é, de longe, "roubo a transeunte": no último ano, foram 741 casos, ante nenhum boletim de ocorrência de sequestro ou de latrocínio, por exemplo.

Reprodução/Facebook
Fofana com Joseph Blatter, presidente da Fifa

De um lado, uma delegacia de polícia com poucos recursos. De outro, uma entidade com o fundo de reservas superior ao PIB de pelo menos 20 países, acordo de cavalheiros com a Interpol e cartolas que percorreram o Brasil com uma proteção de dignatários. A ação da polícia pegou a Fifa de surpresa. Integrantes da entidade confessaram ao Estado jamais esperar que justamente no Brasil as autoridades conseguiriam derrubar uma realidade que já existe dentro da Fifa de forma organizada há anos.

TUBARÕES

A investigação que levou à prisão de Fofana e sua quadrilha – que agora tenta descobrir os "tubarões", da Fifa e da Match, a única empresa credenciada para venda de pacotes de ingressos e camarotes – mobilizou a delegacia. Dos cerca de 40 agentes que trabalham na 18.ª DP (comandados por dois delegados; o titular é Fábio Barucke), cerca de 20 ficaram dedicados quase que exclusivamente à Jules Rimet. Dias de pouco ou quase nenhum sono. Ainda depois da operação, delegado e inspetores exibiam olheiras e não escondiam o cansaço.

A operação também teve participação decisiva da 9.ª Promotoria de Investigação Penal, do Ministério Público, de onde, segundo o promotor Marcos Kac, partiu toda a ideia da ação. "Estava cansado de comer sardinha. Quero comer salmão", disse o promotor sobre operações anteriores que prendiam somente cambistas – os que estão na ponta do esquema. O crime de "cambismo", previsto no Estatuto do Torcedor, tem pena leve – por vezes o criminoso paga uma multa e é liberado. Com a configuração de uma quadrilha e lavagem de dinheiro, esperam delegado e promotor, a história pode ser outra.

ORIGEM

"Não imaginávamos que chegaríamos tão longe", admite o promotor. A ideia, segundo ele, era chegar a quem comandava os esquemas de revenda. Mas encontrar elo com a própria Fifa, reconheceu Kac, foi uma surpresa.

A operação teve início há três meses. Disfarçados, agentes iam a jogos do Maracanã e fingiam querer comprar ingressos. Um dia, numa partida de Campeonato Brasileiro, um policial à paisana perguntou ao cambista se poderiam conseguir 50 ingressos para um grande grupo de pessoas. “Eu não, mas conheço um cara que pode", e passou o contato de Antônio Henrique de Paula Jorge, preso na Jules Rimet, considerado o terceiro homem mais forte entre os já detidos. Seu número foi grampeado e, ligação após ligação, os policiais foram chegando ao restante da quadrilha.

"Quando finalmente chegamos ao Fofana, pensamos que ele era o integrante da Fifa, tamanha a influência que tem no meio do futebol e o livre acesso na entidade. Mas aí descobrimos que havia gente acima dele", disse o promotor. Além das ligações diárias do franco-argelino para a Suíça, a polícia possui gravações de conversas dele com um integrante da Fifa. Pelo que foi divulgado até agora, trata-se de um homem que esteve ou está – se ainda não fugiu do País – hospedado no hotel Copacabana Palace, onde está reunida a cúpula da entidade neste Mundial.

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