Por um 2018 maior

Calendário do futebol brasileiro do ano que vem é absurdo

Marília Ruiz, O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2017 | 04h00

Antes mesmo de a CBF publicar o calendário do futebol brasileiro para o ano que vem em setembro passado, os organizadores da Florida Cup já haviam anunciado sua quarta edição a ser realizada entre 10 e 20 de janeiro de 2018. O Corinthians, líder do Brasileiro então, foi confirmado como participante. Dias depois, mesmo sabendo que os Estaduais começariam em 17 de janeiro, Atlético-MG e Fluminense acertaram suas presenças no torneio.

Copa do Mundo, Estaduais, Regionais, Copa do Brasil, Brasileiro, amistosos internacionais, Libertadores, Sul-Americana, Mundial de Clubes: os brasileiros vão ter de rebolar para cumprir essa tabela-maratona sabedores que, “surpreendentemente”, não há previsão de o calendário gregoriano mudar. Por que será, então, que Corinthians, Atlético-MG (que ainda sonha em datas de Pré-Libertadores encaixadas nas 52 semanas de 2018) e Fluminense toparam embarcar para Orlando e “quebrar” a curta pré-temporada de 14 dias que terão direito?

Porque a organização, o dinheiro e a exposição da marca lá valem mais do que a primeira fase dos Estaduais moribundos. Parabéns às federações!

Os organizadores da Florida Cup, por exemplo, não ignoraram o fato de ser um ano de Copa e mudaram a fórmula de disputa. Os clubes farão apenas dois jogos (os brasileiros jogarão dias 10 e 13). “Aguardamos a publicação do calendário brasileiro ao máximo. O mundo já tinha tudo estabelecido por causa da Copa. Pensamos nisso, na entrega técnica e nos adaptamos”, disse Ricardo Villar, CEO do torneio. Já os Estaduais, salvo exceções irrelevantes, mantiveram uma primeira fase inútil e desinteressante aos grandes.

As federações seguem se agarrando no argumento das rivalidades regionais para defender a sobrevivência dos Estaduais, mas se esquecem que o torcedor normal continua temendo pela própria sobrevivência: do que adianta a saudável rivalidade na “era da torcida única”? Os organizadores da Florida Cup, por sua vez, preocuparam-se em transformar o torneio em plataforma de entretenimento para a família com jogos, shows, “fan fest”, “camps” e parcerias com parques. Os clubes se aproveitaram para lançar pacotes caros para estar “mais perto” do seu torcedor na “Meca” da diversão: Orlando.

A CBF, dona do futebol brasileiro, não conseguiu ainda se adaptar ao calendário estabelecido em 1582 pelo Papa Gregório XIII, mas os clubes, que não conseguem se unir para defender os próprios interesses, não podem reclamar. Nenhum dirigente até agora reclamou do calendário do ano que vem. Talvez nem tenham notado que o Brasileiro, por exemplo, vai terminar depois do começo do Mundial de Clubes. Será que a CBF desconsiderou a possibilidade de um filiado vencer ou vai torcer contra para que não tenha esse “inconveniente” para resolver?

PONTAPÉ INICIAL

A Adidas, uma das patrocinadoras da Florida Cup e também da Copa do Mundo de 2018, resolveu que a bola que será usada na Rússia, a Telstar 18, será testada durante o torneio, cujo jogo inaugural irá reunir Corinthians e PSV, da Holanda. Pela primeira vez também um jogo da competição de pré-temporada será transmitido para TV aberta nos EUA: será Corinthians x Rangers, da Escócia. Como os times brasileiros voltarão ao Brasil antes da disputa de todas as partidas, em caso de título, a premiação será feita por aqui.

APITO FINAL

Despeço-me hoje deste espaço com tristeza, mas com muito orgulho por ter escrito o que eu quis, como eu quis. Até breve.

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