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Presidente da CBF é poupado por senadores na CPI do Futebol

Ex-jogador Romário (PSB-RJ) foi o único a criticar entidade

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Isabela Bonfim,
Estadão Conteúdo

16 Março 2016 | 19h10

Em depoimento à CPI do Futebol, o presidente em exercício da CBF, Antônio Carlos Nunes de Lima, o Coronel Nunes, foi poupado pelos senadores e respondeu a poucas perguntas. Visivelmente isolado, o presidente da CPI, o ex-jogador Romário (PSB-RJ), criticou os colegas do Senado e chegou a bater boca com o relator, Romero Jucá (PMDB-RR).

O Coronel Nunes, que já havia faltado à convocação para depoimento da semana anterior, foi conduzido coercitivamente, nesta quarta-feira, ao Senado. Deputados integrantes da chamada "Bancada da Bola", como o ex-presidente do Corinthians, André Sanchez (PT-SP), também compareceram à audiência.

"Essa reunião, dentro do andamento da CPI, acabou sendo realmente negativa. Evidentemente, nas perguntas que fiz, ele se colocou no direito de ficar calado. E as perguntas que outro senador fez, ele respondeu porque eram perguntas que convinham a ele responder, e assim foi a CPI", resumiu Romário, claramente contrariado.

Assim como no depoimento do presidente licenciado da CBF, Marco Polo Del Nero, Romário assumiu uma postura combativa e centrou os questionamentos nas denúncias de corrupção na entidade. O Coronel Nunes preferiu se manter em silêncio.

Ao contrário de Romário, os demais senadores buscaram defender Nunes. O relator da CPI, Romero Jucá, fez uma única pergunta, em que tratou da possibilidade de a CBF assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), com um conjunto de medidas de gestão e transparência. Nunes aproveitou a oportunidade para falar sobre sua trajetória enquanto presidente da Federação Paraense de Futebol.

REQUERIMENTOS E BATE-BOCA

Ainda antes da oitiva, em ação coordenada pelo relator Romero Jucá, os senadores rejeitaram por unanimidade requerimentos que previam a convocação do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e a quebra de sigilos de Ângelo Verospi, envolvido em transações financeiras com José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, além de antigos e atuais dirigentes da CBF.

De acordo com Jucá, requerimentos com o mesmo caráter já haviam sido rejeitados pelo Supremo Tribunal Federal por falta de fundamentação. "Esta CPI não pode ficar exposta a esse tipo de questão. Eu não sou contra convocar ou quebrar o sigilo de ninguém, desde que a gente, efetivamente, tenha uma formulação", argumentou.

Os senadores chegaram a discutir e Romário criticou Jucá por desconhecer o conteúdo advindo de quebras de sigilo na CPI, que demonstrariam esquemas de corrupção. "A falta de conhecimento de vossa excelência em relação a tudo que acontece aqui na CPI é porque vossa excelência não quer ter esse conhecimento", acusou Romário.

O ex-jogador de futebol afirmou ainda que, ao fim da CPI, irá elaborar um parecer alternativo ao que for escrito pelo relator Romero Jucá. "Um relatório bem minucioso, com detalhes, para que vocês possam ter noção do que realmente é o futebol brasileiro e o que essas pessoas, como esse Coronel, fazem para que o futebol seja isso que temos visto aí", afirmou.

Em entrevista à imprensa, Romário demonstrou decepção com os colegas do Senado na condução da CPI e afirmou que eles nunca tiveram interesse na investigação. "Os que estavam aqui, definitivamente, não querem saber nada de futebol. Mas eu estarei aqui até o final da CPI e do meu mandato lutando por uma moralização do futebol. Os outros, eu não sei."

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