Nathalia Garcia/Estadão
Nathalia Garcia/Estadão

Presidente do Corinthians vê alto investimento de rival como 'ponto fora da curva'

Roberto de Andrade admite dificuldade financeira enfrentada pelo clube alvinegro

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

26 Maio 2017 | 21h25

Horas depois de o volante Cícero, do São Paulo, dizer na manhã desta sexta-feira que 'dinheiro não faz gol', o presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, ratificou o discurso do jogador, em entrevista coletiva no CT Joaquim Grava, ao afirmar que o sucesso de uma equipe não está condicionado à questão financeira.

"Já trouxemos diversos jogadores que custaram valores pequenos e foram de sucesso no Corinthians, os jogadores mais bem vendidos chegaram com valores baixos. Vimos o Flamengo com um investimento grande, montou um timaço e, infelizmente, tomou gol aos 49 e tudo o que fizeram foi embora. Futebol não é conta exata, sucesso não está atrelado ao dinheiro", afirmou, referindo-se à eliminação do time rubro-negro na Copa Libertadores.

Com investimento mais modesto do que o Palmeiras, Roberto de Andrade cita a parceria do arquirrival com a Crefisa e vê a situação como exceção no futebol brasileiro. "Ninguém tem mais dinheiro do que banco, é desleal, todos os clubes relatam a mesma situação. Esse especificamente é um ponto fora da curva."

O mandatário reconheceu que o Corinthians passa por dificuldades financeiras, mas garantiu que o clube honrará seus compromissos. Recentemente, Coritiba, Penapolense e SEV Hortolândia entraram na Justiça cobrando o pagamento de dívidas pela compra de Kazim, Marlone e Vilson, respectivamente.

"Não é novidade que a gente tem bastante dificuldade financeira e as dificuldades não são poucas. Recentemente, tivemos penhoras por alguns processos antigos que estavam na Justiça por anos. Tivemos de dispor de valores que não estavam previstos no nosso orçamento. Boa parte dos protestos está paga, outros estão em discussão. São valores pequenos, não é estratégia (para acordos). Nossa intenção é pagar 100% do que a gente se compromete comprando ou fazendo contratos", garantiu Roberto de Andrade.

Sem o auxílio da Caixa, que deixou o posto de patrocinador master do Corinthians, o clube continua em busca de investimento. "Estamos buscando, contatando empresas, temos conversas em andamento. Espero que a gente obtenha resultado o mais rápido possível. Confesso que não está fácil, não", afirmou o presidente. 

Roberto de Andrade também exaltou a postura do grupo diante do atraso de salário. "Este ano não conseguimos honrar o salário no dia duas vezes. Só foi possível alcançar os objetivos pelo grupo que temos e pela comissão técnica. Jogador é sempre dito como mercenário e aqui, no Corinthians, não é assim."

 

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