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Presidente do Santos cobra Barça sobre valores da transação de Neymar

Luiz Antônio Prósperi, Raphael Ramos e Sanches Filho - O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2013 | 07h 51

Diretoria do clube catalão diz que a diferença no valor deve estar na mão de empresários

SÃO PAULO - A venda de Neymar para o Barcelona rendeu, até agora, 25 milhões de euros (R$ 74,9 milhões pelo câmbio de terça-feira) aos cofres do Santos. O valor, no entanto, pode chegar a 31,5 milhões de euros (R$ 94,3 milhões) caso o craque seja finalista do prêmio de melhor jogador do mundo dado pela Fifa e se o Santos desistir de disputar um segundo amistoso com o time catalão – no primeiro jogo, perdeu por 8 a 0. Para chegar a esses valores, o Alvinegro fechou quatro contratos com o clube catalão, como explica o presidente Odílio Rodrigues Filho em entrevista ao Estado. O dirigente rebate até mesmo a diretoria do Barcelona, que anunciou ter gasto 65 milhões de euros (R$ 194,7 milhões) para contratar Neymar e diz que a diferença deve estar nas mãos de empresários. Odílio também disse que o Santos planeja assumir o Pacaembu depois que a Prefeitura privatizar o estádio e não garantiu Claudinei Oliveira para 2014.

ESTADO - Depois da saída de Muricy Ramalho, Neymar e outros jogadores importantes, ocupar a oitava colocação do Campeonato Brasileiro e ter chance de se classificar para a Libertadores chega a ser surpreendente?

ODÍLIO - O Santos está numa fase de transformação. De 2010 para cá, vivemos o período mais vitorioso da história do clube desde a Era Pelé. Disputamos oito finais e conquistamos seis títulos. Quando você vence muito, há uma espécie de fastio de vitórias. O jornalista Mário Filho dizia que a vitória é uma doença que só a derrota cura. Estamos num período de remodelar o time, mesclando jogadores da base com atletas mais experientes. Dentro desse processo de adaptação, essa nossa posição no Campeonato Brasileiro, se não é a que o torcedor quer, é a que gente imagina que poderíamos conseguir.

ESTADO - Qual é a avaliação do trabalho do Claudinei Oliveira. Ele fica para 2014?

ODÍLIO - Ele tem um carinho e uma convivência muito boa com os jogadores jovens e depois conseguiu criar um ambiente bom com os atletas mais velhos. Ele faz um bom trabalho, mas ainda estamos fazendo o planejamento para 2014 e vamos apresentá-lo na próxima semana ao Comitê de Gestão. Estamos fazendo uma série de análises e só então teremos uma ideia melhor do planejamento de 2014 com relação à comissão técnica e plantel.

ESTADO - Ainda existe a possibilidade de o Marcelo Bielsa ser contratado?

ODÍLIO - O Santos acalentou o sonho de trazer o Bielsa ou algum treinador da chamada "Escola Bielsa". Fizemos um esforço muito grande para trazê-lo, mas o Bielsa é muito minucioso e só trabalha em cima de um projeto. Infelizmente não chegamos a um acordo por causa das exigências dele. Ele, por exemplo, só trabalha com 18 jogadores e queria que os atletas ficassem o dia inteiro no CT e dormissem lá. É uma mudança de cultura que precisaria ser feita com cuidado, e no futebol a torcida tem pressa. Também conversamos com o Tata Martino, fomos até a Argentina para fechar com ele, mas aí apareceu o imponderável, que foi o Barcelona. Hoje, voltar a falar em contratar o Bielsa é mais difícil.

ESTADO - O Barcelona anunciou que comprou o Neymar por 57 milhões de euros (R$ 170,7 milhões) e depois disse que o valor, na verdade, era 65 milhões (R$ 194,7 milhões) porque 8 milhões (R$ 23,9 milhões) foram pagos para garantir a preferência na contratação de outros três jogadores. O Santos, no entanto, alega que recebeu apenas 17 milhões de euros (R$ 50,9 milhões). Afinal, por quanto o Neymar foi vendido?

ODÍLIO - A primeira oferta do Barcelona foi de 16 milhões de euros (R$ 47,9 milhões), pagos em cinco anos. Depois de muita negociação, fizemos quatro contratos com o Barcelona. O primeiro de transferência do Neymar, no valor de 17,1 milhões de euros (R$ 51,2 milhões). Desse valor, 40% foram transferidos para a DIS e 5% para a Teisa. Depois, teve um outro contrato de 2 milhões de euros (R$ 5,9 milhões) caso o Neymar, no período em que estiver no Barcelona, seja indicado entre os três melhores jogadores do mundo pela Fifa. Desse valor, também são 40% para a DIS e 5% para a Teisa. Fizemos ainda um convênio com o Barcelona de troca de informações e tecnologia. Podemos mandar nossos técnicos da base para lá e vice-versa. Nesse contrato, eles têm preferência, em condições de igualdade, sobre três jogadores nossos e foi atribuído o valor de 7,9 milhões de euros (R$ 23,6 milhões), que o Santos também recebeu. E o Santos contratou também dois amistosos. O primeiro lá e o segundo será aqui. Não podendo realizar o segundo jogo, o Santos receberá 4,5 milhões de euros (R$ 13,4 milhões).

ESTADO - Mas por que a diretoria do Barcelona disse logo de cara que gastou 57 milhões de euros no Neymar?

ODÍLIO - Isso criou uma confusão danada. O Comitê de Gestão do Santos notificou o Barcelona exigindo explicação para quem ele pagou esses 57 milhões de euros. Recebemos uma carta deles confirmando que a nós foram pagos 17,1 milhões e que receberemos mais 2 milhões se o Neymar for indicado entre os melhores do mundo. A Fifa também questionou o Barcelona. Temos a cópia da resposta para a Fifa que diz a mesma coisa. Se o Barcelona gastou 57 milhões de euros e para quem foi o restante do dinheiro, o conselheiro do Barcelona é que tem de perguntar para o presidente do Barcelona. A gente até tem ideia que tenha ido de comissão para gente que estava trabalhando para eles na negociação, mas não sabemos para onde foi a diferença.

ESTADO - Como está a renovação do contrato do Neílton, nova joia da base?

ODÍLIO - A gente fez uma proposta uniformizada para os garotos da base e renovamos com Alison, Jubal e Leandrinho. Quando a gente conversou com o representante do Neílton, fizemos a mesma proposta, mas ele falou que os outros meninos estavam ganhando mais. Mostramos os outros contratos e ele viu que era tudo igualzinho, inclusive com alguns gatilhos, estimulando a performance do atleta. O empresário disse que tinha pensado em um valor bem mais alto. É uma negociação difícil, mas estamos na expectativa de ele ter bom senso e responder. Se ele não aceitar, cumpre contrato até maio.

ESTADO - O Santos planeja construir um novo estádio em Santos?

ODÍLIO - Não dá para os grandes clubes ficarem sem arena. É uma receita importante. Depois da Copa, o Santos será o único clube grande de São Paulo sem arena. Pela origem do clube, o local ideal seria Santos, mas lá não tem terreno. Na Baixada, participamos de dois estudos, com duas empresas diferentes, mas na hora que fechar o negócio não conseguimos. A arena precisa ter um shopping e escritórios e as taxas de retorno eram mais baixas do que o mercado esperava, então não conseguimos atrair o investidor.

ESTADO - O Pacaembu, então, surge como uma possibilidade?

ODÍLIO - Nossa maior torcida é em São Paulo e o Santos precisa estar próximo da sua torcida. Então surgiu a possibilidade do Pacaembu. A Prefeitura vai lançar uma licitação e se perguntarem se o Santos quer o usar o Pacaembu e ter o estádio como segunda casa, a resposta é: "Queremos, sim, com muito prazer". A Vila é nossa casa, nossa sede, mas podemos fazer uma reforma e deixá-la como um estádio-boutique, fazer um restaurante temático e ampliar o memorial. A Vila passará a ser um estádio para eventos menores e a gente vai jogar no Pacaembu, perto de uma grande massa. O Santos não iria investir um centavo, a gente não tem essa condição, mas podemos entrar com um investidor. A gente tem de pensar grande, ter um estádio maior. O Pacaembu é muito bem localizado e o santista gosta.

ESTADO - A participação da Teisa no Santos vai mudar?

ODÍLIO - Lá atrás, a Teisa adiantou R$ 16 milhões e ajudou o Santos na participação de alguns jogadores. Hoje, ela tem participação no Mena, Cicinho e Arouca, mas isso pode ser ampliado No dia 29 deste mês, a Teisa vai apresentar um modelo novo, em que ela pode comprar jogador para ela ou para outro clube. O Santos tem a preferência e, se não quiser, ela pode emprestar para outro.

ESTADO - Após o afastamento do Luis Alvaro da presidência por problemas de saúde, o senhor remodelou a administração do clube. Quanto já foi economizado com essas mudanças?

ODÍLIO - A gente está fazendo uma racionalização no custo administrativo do Santos. Quando você faz isso, você privilegia o futebol. Estamos remodelando o organograma do clube e diminuindo alguns salários. Desde janeiro, 39 pessoas já saíram e 15 entraram. Estamos trabalhando com menos pessoas e salários menores. Isso nos dá uma economia de R$ 550 mil por mês.

ESTADO - Quem são esses novos funcionários do clube?

ODÍLIO - O Santos está investindo muito na profissionalização. Acabamos com a figura do diretor, que é um servidor voluntário e vai lá quando pode. Os tempos modernos não permitem mais isso. Reformulamos o estatuto, algo que considero um grande avanço. O presidente e o vice são eleitos e o Conselho Deliberativo é eleito por proporcionalidade. Assim, conseguimos democratizar o órgão. Entre os conselheiros, sete são escolhidos para formar o Comitê de Gestão junto com o presidente e o vice. O restante é tudo profissional. O Santos acredita em uma gestão colegiada e aposta muito nesse modelo. O clube não depende mais da cabeça de uma única pessoa.

ESTADO - Para o orçamento do clube é fundamental se classificar para a Libertadores de 2014?

ODÍLIO - O orçamento do Santos é feito apenas em cima de receitas recorrentes. O clube não conta com itens como premiação e venda de jogadores porque isso pode acontecer ou não, mas é evidente que se você conquista títulos, você valoriza a marca. É importantíssimo fazer um bom Campeonato Brasileiro e ir para a Libertadores, porque isso faz a diferença.

ESTADO - O senhor é candidato à reeleição no próximo ano?

ODÍLIO - Não temos interesse em antecipar o processo eleitoral. Quando se faz isso, você perde o foco da gestão. Existe um conflito no estatuto se eu posso ou não ser candidato, mas não tenho nenhum interesse em abrir essa discussão agora. Isso é a Comissão de Estatuto que tem de decidir e não posso falar sobre isso agora. Ano que vem estarei livre para pensar em eleição.

ESTADO - Como o senhor analisa o Bom Senso FC?

ODÍLIO - O Santos já emitiu um comunicado de apoio aos jogadores. O clube saiu na frente lá atrás, quando fez um estudo sobre o calendário. Ninguém tem uma solução única, existem várias opções. Mas existem dois caminhos muitos importantes, que precisam ser discutidos. Uma alternativa é fazer uma mudança completa e se adequar ao calendário europeu, começando os campeonatos em agosto e terminando em junho. A segunda é mexer menos e mudar só os Estaduais, que eu acho a mais viável. O Santos está disposto a participar do debate, mas antes de qualquer coisa é fundamental que se reconheça que os atletas precisam ter 30 dias de férias e mais 30 dias de pré-temporada.

ESTADO - O senhor é a favor de que os clubes criem uma liga própria?

ODÍLIO - Acho que a CBF devia lidar só com a seleção e os clubes deveriam ter uma forma de representação mais autônoma. O modelo da Uefa é perfeito. Lá, os clubes têm uma representação, um presidente e negociam com os patrocinadores. É um modelo de sucesso de gestão.

ESTADO - Como o Santos se posiciona no atual quadro político do futebol brasileiro? O clube está do lado de José Marin e Marco Polo Del Nero ou de Andrés Sanchez?

ODÍLIO - É preciso esperar e deixar mais claro quem serão os candidatos para a sucessão da CBF e quais são as suas propostas. Por enquanto tem muita especulação. É preciso deixar o processo político amadurecer mais e, quem sabe, surgirem mais opções.

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