Andrea de Silva/Reuters
Andrea de Silva/Reuters

África do Sul justifica uso de US$ 10 milhões após escândalo na Fifa

País diz que valor pago foi uma 'ajuda ao desenvolvimento'

Jamil Chade, correspondente em Zurique, O Estado de S. Paulo

01 Junho 2015 | 07h00

Pressionado mesmo após ter sido eleito para mais um mandato na presidência da Fifa, Joseph Blatter se recusou a assumir qualquer culpa ou envolvimento nos pagamentos investigados pela Justiça norte-americana. Em um dos trechos do indiciamento do Departamento de Justiça dos EUA, um pagamento de US$ 10 milhões (cerca de R$ 32 milhões) é feito a um de seus vice-presidentes, Jack Warner, em dinheiro que teria passado pela Fifa.

O valor seria a propina da África do Sul para ganhar votos para a Copa de 2010. Warner protestou diante do fato de o dinheiro não ter sido depositado e pediu para a Fifa. O valor acabaria vindo do Comitê Organizador da Copa, controlado em parte pela Fifa. O país africano confirma que pagou a quantia para Warner, mas diz que foi uma “ajuda ao desenvolvimento” e nega que seja em troca de votos.

O FBI faz mistério se Blatter está entre os investigados e o dirigente demonstra nervosismo com o assunto. “Eu não tenho esses US$ 10 milhões”, disse. No fim de semana, o ex-diretor do MP inglês, Lord Macdonald, indicou que Blatter deve ser classificado como “pessoa de interesse”, o que eventualmente poderia significar um interrogatório e até prisão. 

DEBANDADA

O suíço vive uma onda de deserções em sua entidade. Um dos membros do Comitê de Ética da Fifa, Nicholas Davidson, anunciou sua demissão. Segundo o neozelandês, o grupo de investigadores independentes da entidade não teve acesso aos informes de Michael Garcia, são obrigados a vestir os ternos com o nome da Fifa e ainda não contam com um sistema de e-mails e telefones independentes. Essa é a segunda demissão em dois dias. No sábado foi o vice-presidente da entidade, David Gills, que saiu.

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