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Copa 2014

'Psicólogo', Felipão neutraliza nervosismo da seleção brasileira

FELIPE ROSA MENDES E LEANDRO SILVEIRA - Agência Estado

12 Junho 2014 | 22h 34

Treinador de 65 anos deu confiança aos jogadores da seleção, principalmente os mais novos, que sentiram o peso da estreia

Luiz Felipe Scolari precisou utilizar na noite de quarta-feira toda a larga experiência acumulada em duas Copas do Mundo, um título mundial e os diversos troféus que conquistou pelos clubes que comandou. O técnico de 65 anos aproveitou todo seu conhecimento para atuar como psicólogo na véspera da abertura do Mundial. O motivo? Tranquilizar e dar confiança aos jogadores da seleção, principalmente os mais novos, que sofriam com o natural nervosismo de defender o Brasil na abertura e diante de sua torcida.

"Tive que fazer um trabalho ontem (quinta) mais cansativo do que qualquer treinamento", revelou o treinador, após a vitória sobre a Croácia por 3 a 1, nesta quinta-feira, no Itaquerão. "De ontem (quarta) para hoje (quinta), eu mal circulei pelo hotel porque eu tive que fazer um trabalho diferenciado, ao ver que alguns jogadores sentiram mais o peso de jogar hoje (quinta)".

O treinador não revelou o nome dos atletas que mais sofreram com a ansiedade. Mas disse que aproveitou o trabalho realizado pela psicóloga Regina Brandão para auxiliar seus comandados. Regina entrevistou todos os jogadores no início da concentração na Granja Comary, em Teresópolis, e entregou ao técnico um relatório completo.

Na abertura da Copa, Brasil bate Croácia
Fabrizio Bensch/Reuters

Foi com dois gols de Neymar que a seleção brasileira estreou na Copa do Mundo, com o pé direito, vencendo a Croácia por 3 a 1.

Depois disso, ela só se reuniu com os jogadores na manhã desta quinta, a poucas horas do aguardado jogo de abertura da Copa. "Usei aquilo que me foi dado como material para trabalhar. E hoje (quinta) a Regina esteve junto com o time pela manhã", afirmou, sem revelar o conteúdo da conversa da psicóloga com os atletas. "Eles são novos, a gente pensa que eles são como a gente, mas são muito jovens ainda", disse Felipão ao justificar sua função de "psicólogo" e motivador do grupo.

CONFIANÇA

Mesmo sem dar nomes, o técnico deu a entender que Oscar foi um dos que mais sofreu com o nervosismo. Aos 22 anos, o meia é uma das esperanças da seleção no setor ofensivo, principalmente por ser considerado o único armador de ofício da equipe. Além de ter a responsabilidade de não fazer feio na abertura, Oscar acabou de se tornar pai - chegou a ser liberado da concentração para conhecer sua filha, Júlia.

"O Oscar só precisava que eu confiasse nele", disse Felipão ao lembrar das críticas que o jogador já vinha sofrendo pelo desempenho nos treinamentos. Ele não ia desaprender de uma hora para a outra. Hoje (quinta) ele foi maravilhoso, excelente. Nunca tive dúvidas sobre ele", exaltou o treinador. 

"No nosso scout, o Oscar foi quem mais roubou bolas hoje (quinta). Foi quem mais criou pelo lado direito, teve dribles e muitas jogadas em que foi espetacular. Se houvesse um segundo prêmio, deveria ser dado a ele", afirmou, referindo-se ao troféu de "Jogador da Partida", concedido a Neymar nesta quinta.

Felipão revelou também que Neymar era uma das preocupações do grupo. Na noite de quarta, quando atuou como "psicólogo", ele ainda teve uma reunião com os capitães da equipe, Thiago Silva, Fred, David Luiz e Julio Cesar. "Eles me disseram: "Professor, o que a gente quer é que ele seja feliz jogando bola. Ele é especial. E nós vamos jogar também para ele", revelou o treinador.

O "trabalho extra" do técnico deu resultado nesta quinta. Neymar e Oscar foram as principais estrelas do jogo de abertura. O atacante balançou as redes duas vezes e o meia deixou sua marca com uma bela jogada individual contra a seleção da Croácia. "São sete degraus, agora faltam seis jogos", disse Felipão.

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