Reprodução/ Instagram Adriano
Reprodução/ Instagram Adriano

Recluso, Adriano Imperador troca bola pelo mistério

Atacante, que não joga desde o ano passado, se isola e só dá sinal de vida pelas redes sociais

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2017 | 07h00

Ninguém sabe quando soará o apito final da carreira daquele que é considerado um dos maiores atacantes do futebol brasileiro dos últimos tempos. Sem clube há mais de um ano, recluso e alvo de boatos de toda ordem, Adriano ainda é exaltado por torcedores. Porém, nunca responde quando ou mesmo se voltará a jogar um dia para fazer os gols que lhe renderam o apelido de Imperador. 

Há tempos Adriano não conversa com jornalistas. A assessoria do atacante informou que ele não está falando “no momento” – o Estado tentou sucessivas entrevistas. No início do mês, um site italiano especializado em notícias da Internazionale, clube pelo qual ele conquistou quatro títulos italianos e duas Copas nacionais na década passada, publicou uma rápida conversa em que o jogador praticamente se limitou a fazer referências ao time de Milão. Questionado sobre o que fazia no momento, ele disse apenas que tinha negócios no Brasil.

Atualmente, Adriano só se manifesta publicamente em redes sociais ou em notas oficiais. A mais recente delas foi divulgada ontem, após o jornal carioca Meia Hora publicar uma foto na capa em que o atacante aparece ao lado de Rogério 157, apontado como o chefe do tráfico na favela da Rocinha, no Rio. “Mais uma vez, vejo meu nome exposto e vinculado a pessoas ilícitas que mal conheço. Sou uma pessoa pública. Todos os dias me param para tirar fotos, e jamais deixarei de tirar fotos com meus fãs”, disse o Imperador. “Estou farto de notícias mentirosas a meu respeito. Sempre ganhei a vida com honestidade, pago meus impostos e não aceitarei mais esse tipo de exposição.” Para o caso, Adriano prometeu acionar a Justiça.

Nas redes, ele faz eventuais referências ao Flamengo, clube que o lançou e onde teve maior sucesso no Brasil, e posta inúmeras fotografias em sua casa. No fim de semana passado, fez um registro na Vila Cruzeiro, favela onde nasceu e se criou. Já postou fotos com amigos em churrascos e explicando situações do seu cotidiano. Há ainda vídeos com belos lances e gols.

A chance de se ver jogadas assim novamente, porém, são cada vez mais escassas. Adriano não entra em campo desde maio de 2016, quando disputou o segundo e último jogo como atleta do Miami United, time da National Premier Soccer League (NPSL), espécie de quarta divisão norte-americana. Teve vínculo de apenas quatro meses com o clube e fez um gol.

Sua última temporada completa foi há oito anos, quando comandou o Flamengo no título do Brasileirão de 2009. Adriano marcou 19 vezes e foi um dos artilheiros da disputa, ao lado de Diego Tardelli, então no Atlético-MG e convocado agora por Tite para os jogos do Brasil nas Eliminatórias.

A campanha no Fla de 2009 fez com que o atacante fosse escolhido como um dos “100 brasileiros mais influentes” do ano, em lista elaborada pela revista Época. Adriano estava na relação de “Ídolos e Heróis”, que tinha 11 nomes, entre eles o do nadador Cesar Cielo e do atacante Ronaldo Fenômeno. Depois disso, porém, foi perdendo espaço. Teve passagem rápida pela Roma e fez sete jogos pelo Corinthians entre 2011 e 2012. Seu último time de elite foi o Atlético-PR, em 2014. Disputou somente quatro partidas.

Apesar do período de inatividade, os fãs ainda pedem seu retorno. Diariamente, suas redes sociais recebem dezenas de pedidos para que volte a calçar as chuteiras. Mas, aos 35 anos e sem atuar em grande clube há três, é improvável que o Imperador retome a profissão em alto nível – ou que volte a atuar.

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