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Copa 2014

Resignado, Valcke muda a tática na reta final para o início da Copa do Mundo

O Estado de S. Paulo

24 Abril 2014 | 05h 01

Tom das cobranças do secretário-geral da Fifa não teve a mesma veemência de visitas anteriores

SÃO PAULO - Na reta final para o início da Copa do Mundo, Jérôme Valcke trocou a irritação pela resignação. Na atual rodada de inspeções que realiza em alguns estádios, o secretário-geral da Fifa continua a fazer cobranças. No entanto, seu tom já não carrega a veemência das visitas anteriores. Nesta quarta, por exemplo, ao constatar que ainda falta colocar boa parte das cadeiras na Arena Pantanal, preferiu dizer que o estádio está passando por "retoques finais" a tornar pública sua insatisfação.

Na terça-feira, ao confirmar que ainda há muita coisa por fazer tanto na Arena Corinthians como na Arena da Baixada, afirmou que ambos os estádios "ficarão prontos no último minuto". E, mesmo sem nenhuma declaração bombástica, deixou claro seu descontentamento ao dizer que não é um sonhador e sim alguém que trabalha com fatos concretos.

De acordo com uma pessoa que tem tido contato com Valcke neste tour pelo País, o dirigente se mostra irritado, mas sobretudo desapontado, com os problemas. Isso porque esperava, depois de tanto ter esticado prazos para a conclusão das arenas, encontrar agora, a menos de dois meses para a bola rolar, os trabalhos mais adiantados.

O dirigente já havia sido informado de que não iria ver todas as cadeiras instaladas no estádio de Cuiabá - cerca de 15 mil. Por isso, exigiu dos responsáveis pela arena uma definição e lhe foi prometido que até 5 de maio tudo estará concluído. "Nós concordamos que os assentos, porque vocês viram que ainda há um número de assentos não instalados no estádio, devem estar feitos no máximo até 5 de maio", disse Valcke.

Dessa maneira, acrescentou, será possível fazer eventos-teste no local com a capacidade total de público (43 mil pessoas) - um desses testes será em 18 de maio, o jogo entre Santos e Atlético-MG pelo Brasileirão. No próximo sábado, Luverdense e Vasco jogarão na arena pela Série B com público reduzido.

Valcke exigiu que tanto a Arena Pantanal como a da Baixada façam eventos-teste com a mesma carga de ingressos que estarão disponíveis nos jogos do Mundial, mas abriu uma exceção para o Itaquerão. Nesse caso, conforma-se que Corinthians e Figueirense joguem para no máximo 50 mil pessoas, apesar de o estádio poder receber pouco mais de 68 mil pessoas na Copa. É o que será possível fazer. "Teremos três semanas para corrigir o que não estiver funcionando. É uma corrida contra o tempo", admite.

No caso da Arena Pantanal, se o secretário-geral, apesar do tom ameno, observou problemas, Ronaldo, representante do COL, só viu o lado bom do estádio. Ele elogiou a qualidade das obras, sobretudo do gramado. "Drenagem perfeita e, aparentemente, muito resistente. Padrão Fifa", definiu. "A gente não tem a menor dúvida de que esse estádio será uma grande atração da Copa do Mundo."

MOBILIDADE 

Cuiabá está um canteiro de obras, apresentadas como o grande legado do Mundial, mas Valcke quer ver boa parte delas prontas a tempo, o que é pouco provável. "Pedimos (às autoridades) a confirmação de que todas as instalações de mobilidade urbana do aeroporto para a cidade e para o estádio, pelo menos essas, estejam prontas até a Copa para que os torcedores não tenham problemas para se movimentar em Cuiabá."

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse que Cuiabá é a sede que mais ganhará legado da Copa. Admitiu atrasos, mas destacou que "em vez de lamentações pelo atraso em uma ou outra obra, deve-se celebrar porque estão em execução." "Essa cidade vai servir de exemplo como o maior legado da Copa", acrescentou Ronaldo.

Mas o principal legado não ficará pronto. O VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos), aliás, nem é considerado mais como empreendimento da Copa porque o até mesmo o governo estima a conclusão para dezembro. Boa parte dos 22 quilômetros do VLT estão ainda na fase de terraplenagem e o governo quer apenas reduzir os transtornos na parte próxima ao aeroporto.

Na quarta, o Tribunal de Contas do Estado divulgou relatório sobre o cronograma de 16 intervenções prometidas para a Copa que ainda não foram entregues. Classificou como crítica a situação de várias delas. O governo põe culpa nas chuvas. "A questão é que tivemos o maior índice pluviométrico dos últimos 40 anos", diz o secretário da Copa, Maurício Guimarães.

DILMA NA ARENA 

Nesta quinta, a presidente Dilma Rousseff vai à Arena Pantanal. Mas não vai inaugurar o estádio e sim fazer apenas "uma visita técnica". "O que a presidente fará é uma visita técnica como fez em outras arenas em obras. A inauguração será realizada em data oportuna", disse o secretário da Copa no Mato Grosso, Maurício Guimarães.

Já Valcke vai a Fortaleza visitar o Aterro de Iracema, local das Fan Fest. Na sexta, reúne-se com os dirigentes do COL, no Rio, e depois volta para a Suíça. Deve retornar ao Brasil em 19 de maio, para ficar até o fim da Copa.

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