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Ricardo Teixeira é investigado por votar no Catar como sede da Copa 2022

Jamil Chade - correspondente - O Estado de S. Paulo

17 Abril 2014 | 05h 06

Se for condenado por algum tipo de irregularidade, ex-dirigente pode ser banido do futebol

GENEBRA - O ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, está sendo investigado por conta da escolha do Catar como sede para a Copa de 2022. O brasileiro foi um dos que votou pelo país do golfo para receber o polêmico Mundial. Mas, agora, entrou na lista dos cartolas que o comitê de ética da Fifa está avaliando por conta de suas relações com dirigentes e investidores do Catar.

O processo está sendo liderado pelo americano Michael Garcia, assessorado por um ex-funcionário do FBI e outro da CIA. Há pouco mais de duas semanas, foi revelado que um ex-vice-presidente da Fifa, Jack Warner, havia recebido US$ 2 milhões de Mohamed Bin Hammam, presidente da Federação de Futebol do Catar. Os documentos faziam parte justamente de uma investigação liderada pelo FBI.

Agora, o Estado apurou com fontes próximas ao presidente Joseph Blatter que Garcia também está vasculhando a decisão tomada por Teixeira. O brasileiro, que em 2012 deixou a CBF e a Fifa, declarou na época que de fato votou pelo Catar para sediar a Copa de 2022.

As relações entre Teixeira e o país do Golfo chamaram a atenção dos investigadores. O brasileiro apoiava Bin Hammam para ser presidente da Fifa, em 2011, e fechou um contrato para dar os direitos sobre os amistosos da seleção brasileira para a empresa ISE. A companhia tem sede nas Ilhas Cayman, tem donos sauditas e uma ligação direta com Bin Hammam.

Semanas antes do voto na Fifa, Brasil de Teixeira e Argentina de Julio Grondona jogaram um amistoso no Catar. Segundo pessoas envolvidas na organização da partida e segundo uma enquete da revista FranceFootball, o Catar pagou um cachê duas vezes maior que o preço normalmente cobrado pela seleção brasileira.

Em 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda aproveitou uma passagem por Doha para apoiar a ideia da Copa no Oriente Médio.

Teixeira já não faz mais parte da Fifa e, portanto, não teria obrigação de responder às perguntas que Garcia o enviaria. Mas o investigador recebeu carta branca para tentar desvendar o que de fato ocorreu na escolha da sede de 2022 e isso inclui também o voto do brasileiro. Se for eventualmente condenado por algum tipo de irregularidade, Teixeira poderia ser banido do futebol, o que significaria que não poderia ser pago pela CBF por trabalhos de consultoria, como ocorreu em 2013, e também teria sua aposentadoria suspensa na Fifa.

REJEIÇÃO

A decisão de Garcia de sair em busca dos motivos pelos quais cada um dos cartolas votou pelo Catar deixou parte dos dirigentes da Fifa extremamente irritados. Reunidos em Zurique, alguns deles chegaram a propor que a investigação fosse encerrada. Joseph Blatter, presidente da Fifa e que foi contra a escolha do Catar, negou o pedido do grupo de cartolas.

Os dirigentes então tentaram reunir apoio para pedir a demissão de Garcia e sua substituição por um novo investigador. Mas o grupo liderado pelo argentino Julio Grondona e por Jose Maria Villar, presidente da federação espanhola, não conseguiram apoio. Quem indicou ser favorável, porém, a um encerramento da polêmica foi o presidente da Uefa, Michel Platini.

Questionada pelo Estado, a Fifa evitou comentar o trabalho de Garcia, indicando que se trata de uma "investigação independente".