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Risco calculado

Edgardo Bauza não é o herdeiro dos 6 a 1, mas é o responsável pela reconstrução do time carimbado pelo massacre do penúltimo clássico. Fosse outro o adversário, talvez escalasse uma equipe mista, e assim preservaria a maioria dos titulares para o primeiro jogo da Copa Libertadores.

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Paulo Calçade

15 Fevereiro 2016 | 03h00

Mas clássico é clássico e 6 a 1 é 6 a 1. A goleada no final da temporada passada pedia uma equipe mais forte, mesmo que ela tivesse muitos dos goleados de novembro. Orçamento curto e tempo escasso para novidades modelam o São Paulo de Bauza.

Ambos os treinadores trabalham pela reconstrução. Tite porque perdeu vários titulares e viu seu modelo de jogo evaporar, Bauza porque tenta implantar na cabeça de seus jogadores movimentos defensivos mais sólidos, além de um futebol focado no conjunto e não na individualidade.

Ontem o time sentiu a falta de uma participação mais efetiva de Ganso e de Michel Bastos. Juntá-los em torno de um jogo de associações coletivas e menos dependente de ações individuais é uma das tarefas do treinador argentino. 

A rivalidade destruiu o primeiro tempo. Em meio a dificuldades operacionais, a temperatura subiu nas divididas e o futebol ficou em segundo plano, mesmo quando o Corinthians abriu o placar, aos 23 minutos, com Lucca, aproveitando-se de uma falha de Lucão.

O gol convocou velhos fantasmas tricolores para o clássico, mas não mudou o jogo corintiano, que nem de longe se assemelha ao do time campeão brasileiro. Tite vem testando formatos e parece disposto a manter o 1-4-1-4-1.

Com Rodriguinho e Maycon nas funções de Renato Augusto e Elias (contundido), a condução da bola ao ataque ficou travada no meio de campo do São Paulo, superior no segundo tempo.

Giovanni Augusto jogou pelo lado direito, com liberdade de movimentação, a mesma missão de Jadson. Com posse de bola, circula pelo ataque. Sem ela, volta pelo lado do campo. A exemplo dos demais, precisa de treinamento e adaptação. Por enquanto, comparações não servem para nada.

De olho na Libertadores, Tite misturou os titulares de hoje com os de amanhã. Não bastasse a perda de cinco campeões brasileiros, o treinador escalou sua equipe pensando nas dificuldades que terá pela frente. No dia 3 de abril, o Corinthians completará 16 jogos em 53 dias.

Não custa comparar. Em menos de dois meses, o campeão brasileiro de 2015 jogará um quarto de todas as partidas disputadas pelo Barcelona na temporada passada, que lhe trouxe três títulos, o Espanhol, a Copa do Rei e a Liga dos Campeões. Enquanto Tite foi racional, Bauza assumiu o risco.

Nesta etapa da preparação, os contextos são diferentes. Tite tem uma nova equipe para montar enquanto Bauza trabalha pela estabilidade com praticamente os mesmos nomes do ano passado. Terão muito trabalho.

PALMEIRAS

Titulares e reservas do Palmeiras têm um ponto em comum: os defeitos. Aos olhos do torcedor, a conquista da Copa do Brasil demoliu a crítica e confirmou a única fórmula válida, a do resultado. O questionamento da qualidade do jogo palestrino foi entendido como implicância da imprensa.

O Palmeiras manteve o técnico e seu time campeão. Sempre atento ao mercado, ainda trouxe bons reforços, mas seu futebol continua pobre. As dificuldades naturais no início de temporada também se encaixam ao grupo de Marcelo Oliveira. O que destoa, porém, é que desde o ano passado os problemas são evidentes, sem que um movimento de reação seja detectado.

Se o problema é a transição ofensiva, simplifica-se a solução com a ausência de um camisa 10. O futebol é mais do que isso, é mais do que um dez e o Palmeiras é a prova. Com reservas ou titulares, com ou sem 10, faltam ideias.

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