Rivais desgarrados

Corinthians nada de braçadas neste início de Campeonato Brasileiro, enquanto o Palmeiras segue script torto

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

18 Junho 2017 | 03h00

Se alguém disser que, antes do Brasileiro iniciar, colocaria o Corinthians dentre os favoritos e o Palmeiras na turma do fundão, é cara de pau. Merece ouvir na bucha “Não me venha com churumelas!”, bordão de Pedro Pedreira, o advogado mal-humorado interpretado por Francisco Milani, na versão original da Escolinha do Professor Raimundo. Nenhum cristão que acompanhe futebol arriscaria previsões tão disparatadas meses atrás.

Pois, sete rodadas após o início da Série A, eis que os centenários rivais enfrentam ondas diversas. Alvinegros navegam em águas calmas, com 19 pontos, empate na estreia (Chapecoense em casa) e 6 vitórias enfileiradas. Alviverdes, campeões nacionais, penam com escassos 7 pontos (1 empate, 2 vitórias, 4 derrotas). Um é líder, outro com pé na zona do rebaixamento. 

Panorama antes inimaginável? Sim, no mínimo em relação à turma alviverde. Porém, real, e justificável. Não é por acaso, ou por obra dos “deuses dos estádios” e bobagens do gênero, que se encontram em situações opostas. Tem explicação, com a ressalva acaciana de que nada é definitivo e irreversível: muita bola vai rolar até a 38.ª e última rodada, em 3 de dezembro.

O Corinthians largou animado por causa do título paulista; no entanto, sem enorme expectativa. O grupo à disposição de Fábio Carille está longe de ser composto por estrelas, ao contrário de formações da história recente. Cássio, Jadson, Rodriguinho, Fagner e, vá lá, o filho pródigo Jô formavam o bloco dos pontos de referência. No mais, um punhado de jovens em busca de espaço e afirmação. Assim como o próprio treinador, personagem secundário no clube por muitos anos. 

Carille arrumou a defesa, desde o Estadual (com Cássio, Fagner, Pablo, Balbuena, Arana), montou o meio-campo de forma equilibrada – e, para tanto, contou com a recuperação de Gabriel, enjeitado pelo Palmeiras após longo período de afastamento por contusão. Ele segura as pontas, com Maycon, Jadson, Rodriguinho, Romero. E Jô na frente, a resolver jogos intrincados. Clayson, Giovanni Augusto, Marquinhos Gabriel, Camacho têm servido muito bem como alternativas. 

O Corinthians tem sistema simples, nem por isso simplório ou raso. Trata-se de time compacto, comedido e eficiente. Lembra, nesses aspectos, aquele que brilhou sob comando de Mano e Tite, e que tinha Carille como auxiliar. À medida que os bons resultados se acumulam, cresce a autoconfiança dos atletas e tudo fica mais leve. A ponto de nas últimas apresentações sumir o roteiro dos magros resultados por 1 a 0 por outros recheados de gols. 

Alguém pode dizer que o futebol do Corinthians não enche os olhos. Concordo. Mas há algum que preencha tal expectativa? Se não arrebata tampouco tira o sossego da torcida, e surpreende a cada nova empreitada. A deste domingo é o Coritiba, fora de casa. Duelo com rival da parte de cima da classificação (14 pontos). Dá para encarar, claro. 

O Palmeiras segue script torto, estranho, desde a passagem relâmpago de Eduardo Baptista. O treinador que agora comanda o Atlético-PR não conseguiu moldar um formato sustentável, mesmo com duas ou até três opções para cada posição. A proposta tática de 4-1-4-1 não deu liga – nem houve tempo para saber.

Para complicar, peças caíram – a primeira e mais importante Moisés, pilar do meio-campo em 2016. A saída dele bagunçou a marcação. No embalo do vaivém, também não mostram sequência regular Tchê Tchê, Dudu, Jean – alguns dos que baixaram enfermaria, agora com presença de Felipe Melo. A escalação muda jogo a jogo, não há fluidez nem clareza na estratégia, e aumenta a pressão. Há urgência de reação consistente, e cada jogo já toma contornos dramáticos e decisivos, como o deste domingo com o Bahia.

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