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Rival do São Paulo homenageia poeta e sonha com zebra

Com goleiro da seleção, Cesar Vallejo quer avançar na Libertadores

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Ciro Campos,
O Estado de S. Paulo

03 Fevereiro 2016 | 07h00

Ganhar novo status, atrair mais torcedores e fazer história. O jovem e azarão Universidad Cesar Vallejo vê na possibilidade de enfrentar o São Paulo na pré-Libertadores, nesta quarta-feira, a chance de conquistar o feito mais glorioso dos apenas 20 anos de história do clube, que por homenagear um dos maiores nomes da literatura sul-americana, ganhou o apelido de "Os Poetas".

Receber o tricampeão mundial em Trujillo, cidade litorânea no norte do país, será o jogo mais importante da história. Fundada em 1996 como uma equipe amadora da universidade local, virou a surpresa nacional ao deixar de disputar ligas menores para em oito anos chegar à elite e se credenciar pela segunda vez disputar a fase preliminar da Libertadores. A primeira oportunidade foi em 2013, quando perdeu para o Tolima, da Colômbia.

"Seguramente pela história e pelo nome, sabemos que o São Paulo é o favorito. Ganhar seria histórico, um grande feito", disse o goleiro Salomon Libman em entrevista ao Estado por telefone. O goleiro de 31 anos está na quarta temporada no clube e é presença constante na seleção peruana. Em 2013, trocou a titularidade no Alianza Lima, um dos maiores times do país, pelo desafio de ajudar o emergente Cesar Vallejo.

A tarefa tem como um dos grandes prêmios ter despertado o interesse do torcedor em uma região de pouca tradição no futebol. "Pouco a pouco tem aumentado o número de torcedores e a nossa ligação com a cidade. Quando cheguei ao time, iam poucos torcedores ao estádio. Isso é um trabalho que só pode ser feito com resultados, como na Copa Sul-Americana em 2014", explicou o goleiro.

A lembrança do torneio é bastante viva por ter feito de Libman um herói. Nas oitavas de final contra o Bahia, defendeu três pênaltis e ainda converteu o dele para garantir a classificação. O sonho do goleiro é poder repetir a façanha contra o São Paulo, adversário que mostrou conhecer bem. Durante a entrevista, citou reforços como Mena e Lugano, falou sobre o técnico Edgardo Bauza e comemorou que o jogo da volta será no Pacaembu e não no Morumbi.

O goleiro afirmou que o Cesar Vallejo tem como pontos fortes a velocidade pelas pontas e a bola parada, além de outros atletas no elenco com passagens pela seleção peruana. "No aspecto econômico nosso clube é mais organizado que os demais do Peru. Vim para cá pela ideia de ser uma equipe jovem, com a ambição de trazer jogadores do exterior e ser campeão nacional", contou.

A equipe joga no estádio municipal Mansiche, reformado em 2004 para receber jogos da Copa América e do Mundial sub-17. A cidade de cerca de 1 milhão de habitantes foi o berços intelectuais do poeta que batiza o time. Cesar Vallejo (1892-1938) estudou literatura em uma faculdade local antes de se tornar um renomado escritor. 

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