Fernanda Coimbra/CBF
Fernanda Coimbra/CBF

Rumo à profissionalização, futebol feminino fará parte do TMS da Fifa em 2018

TMS é o sistema que monitora o mercado internacional de transferências e publica dados oficiais das transações

O Estado de S. Paulo

09 Novembro 2017 | 20h15

O futebol feminino terá mais uma ferramenta para garantir a valorização da categoria. O Comitê Executivo da Fifa definiu que, a partir de 2018, o registro de transferências internacionais das jogadoras no TMS (Transfer Match System) será obrigatório.

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O TMS é o sistema da Fifa que monitora o mercado internacional de transferências e publica dados oficiais das transações, a fim de garantir mais transparência no futebol masculino. Com a decisão, as atletas mulheres entrarão oficialmente no mercado de transferências, e os clubes poderão vender e/ou emprestar suas peças para equipes nacionais e internacionais.

A medida também dá mais seguranças aos clubes. Atualmente, para tirar uma atleta de um time feminino, basta outra equipe fazer uma oferta salarial mais vantajosa. No ano que vem, será necessário pagar pela transferência, que só poderão ser realizadas nas janelas, cujas datas serão determinadas em breve pela Fifa.

O TMS também incluirá os times femininos no mecanismo de solidariedade, que garante ao clube formador do atleta direito a 5% dos valores envolvidos em cada transferência internacional do jogador. O percentual é dividido pelos clubes defendidos pelo atleta dos 12 aos 23 anos.

Para a CBF, a medida da Fifa fomenta a profissionalização do futebol feminino, pois as equipes só poderão usar o sistema se tiverem suas atletas registradas em carteira profissional. E esse mercado tende a crescer no Brasil, já que, a partir de 2019, todos os clubes que não tiverem um time feminino em torneios nacionais serão proibidos de disputar a Libertadores. Dos 20 times da Série A de 2017, apenas sete contam com equipes de mulheres.

"É uma medida que fortalece e profissionaliza ainda mais o futebol feminino", avaliou Marco Aurélio Cunha, coordenador de Futebol Feminino da CBF.

Alguns clubes, como Iranduba, Ferroviária e Sport, passaram a ter contratos profissionais com as atletas somente em 2017, mas ainda são exceção no Brasil. O Santos é pioneiro neste quesito. Em 2015, o presidente Modesto Roma Júnior voltou a investir nas Sereias da Vila após três anos de hiato. A equipe foi campeã brasileira de 2017 e recebe R$ 100 mil mensais do clube, além de benefícios como moradia, planos de saúde e faculdade para o elenco.

"É um caminho sem volta e uma grande oportunidade para os clubes brasileiros no departamento feminino garantir seus direitos e de suas atletas, podendo inclusive negociar suas transferências", acrescentou Marco Aurélio.

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