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Santos é campeão da Libertadores 2011

Demétrio Vecchioli - Agência Estado

23 Junho 2011 | 00h 02

Time de Neymar, Ganso, Muricy e cia fez 2 a 1 no Peñarol e conquista o título pela terceira vez

SÃO PAULO - Agora quem dá bola é o Santos, o novo campeão. Depois de quarenta e oito anos do bicampeonato da Copa Libertadores, a geração de Neymar e Paulo Henrique Ganso levou o time alvinegro ao seu terceiro título continental. A conquista veio com uma vitória por 2 a 1 sobre o Peñarol, no Pacaembu, na noite desta quarta-feira. Neymar e Danilo marcaram para os donos da casa. Durval, contra, fez o único gol dos uruguaios.

A festa, porém, foi manchada pelos uruguaios, que deram início a uma pancadaria no gramado do Pacaembu ao final do jogo, deixando Elano machucado no meio do campo. Nem a chegada da polícia impediu que a briga continuasse na saída para os vestiários.

A taça da Libertadores é a terceira levantada pela geração de Neymar e Paulo Henrique Ganso. No ano passado, os dois, que dividiam os holofotes com André e Robinho, já conquistado os títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil. Pode também ter sido a última conquista deles juntos no Santos, uma vez que a dupla desperta o interesse dos principais times do futebol europeu.

Com o título conquistado nesta quarta-feira, o Santos se iguala ao São Paulo como o brasileiro que mais vezes foi campeão da Libertadores. Diferente do rival, que perdeu outras três finais, a equipe santista faturou suas taças precisando apenas de quatro decisões.

O Santos agora tem uma semana para comemorar o título. Como pediu para que o jogo contra o América-MG, pelo Brasileirão, fosse adiado, o time só volta a campo na quarta-feira que vem, frente o Figueirense. Já não terá Ganso, Neymar e Elano, que vão disputar a Copa América. A partir da rodada seguinte, também terá os desfalques de Danilo, Alex Sandro, Alan Patrick e Felipe Anderson, que vão servir à seleção sub-20.

O jogo desta quarta-feira marcou a despedida de Zé Eduardo e Maikon Leite, que vão para o Genoa e para o Palmeiras, respectivamente. Alan Patrick, muito perto do Shakhtar Donetsk, também não deve mais defender as cores do Santos. 

Ataque x defesa. O primeiro tempo foi exatamente como já era previsto desde o fim da partida de ida, no Uruguai. O Santos, mandante, atacava praticamente o tempo todo e tocava bola no campo de ataque. O Peñarol, segurando o empate, apostava apenas nos contra-ataques e se fechava atrás.

Mas nenhum dos dois times conseguiu pôr em prática o seu plano no primeiro tempo. O Santos conseguiu somente duas boas defesas de Sosa, em chutes de Elano, ambos de fora da área. Já o Peñarol não levou perigo nenhuma vez a Rafael, que só fez duas defesas, ambas fáceis, nos 45 minutos iniciais.

A primeira chance santista veio logo com 3 minutos. Elano bateu falta na área, na cabeça de Durval, que subiu no segundo pau, mas cabeceou para fora. Cinco minutos depois, o volante voltou a aparecer bem, com um chute de fora da área, que Sosa pegou no canto esquerdo, à meia altura.

Faltava Ganso e Neymar aparecerem. Do meia, só se esperava uma única assistência, que decidisse o jogo. Ela veio aos 30, exatamente para Neymar, mas o atacante foi segurado por González na entrada da área. Falta que Elano cobrou no contrapé do goleiro. Sosa pulou de mão trocada e fez ótima defesa. Léo e Zé Eduardo ainda tiveram chances na primeira etapa, mas ambos chutaram para fora, cada um aparecendo em um lado da área.

Estrelas. Se apareceram pouco no primeiro tempo, Ganso, Arouca e Neymar começaram a decidir o jogo já no primeiro minuto da etapa final. O volante, que pouco foi à frente no primeiro tempo, recebeu um passe de chaleira de Ganso, carregou bem a bola na intermediária e tocou para Neymar na esquerda. O atacante bateu de primeira, sem muita força, mas Sosa pulou tarde, não alcançou, e ajudou o Santos a abrir o placar.

O Peñarol tentou se lançar ao ataque e, já no primeiro contra-ataque, o Santos ficou perto do segundo tempo. Zé Eduardo teve todo o campo de ataque para avançar com a bola, mas demorou a tocar para Danilo, livre ao seu lado, e acabou recebendo o bote do único zagueiro que o acompanhava, já na entrada da área.

Com os uruguaios atacando sem organização, o Santos não era tão ameaçado, tinha o contra-ataque e controlava o jogo. Marcou o segundo aos 23 minutos, com Danilo, que apareceu bem na área pela direita, limpou a marcação e bateu no canto oposto, com muita categoria.

Depois do segundo gol, o jogo parecia decidido. Mas, aos 34 minutos, Estoyanoff recebeu pela direita e cruzou rasteiro. Durval tentou o corte, mas pegou torto na bola e mandou contra o próprio gol.

O Peñarol, porém, não soube aproveitar a chance de empatar. Continuou deixando o Santos mandar no jogo. O time brasileiro só não fez o terceiro porque, aos 37, quando Ganso finalizou errado um passe de Neymar, Zé Eduardo cabeceou a menos de um metro do gol, sem ninguém à sua frente, e mandou para fora a chance de marcar em sua despedida. Já aos 44, Neymar mandou uma bola na trave e Zé Eduardo voltou a perder na cara do gol.

SANTOS - 2 - Rafael; Danilo, Edu Dracena, Durval e Léo (Alex Sandro); Adriano, Arouca, Elano e Paulo Henrique Ganso (Pará); Neymar e Zé Eduardo. Técnico: Muricy Ramalho.

PEÑAROL - 1 - Sosa; González (Albín, depois Estoyanoff), Valdez, Guilhermo Rodríguez e Darío Rodríguez; Freitas, Luis Aguiar, Matias Mier (Urretaviscaya) e Corujo; Martinuccio e Olivera. Técnico: Diego Aguirre.

Gols - Neymar, a 1, Danilo, aos 23, e Durval (contra), aos 34 minutos do segundo tempo; Cartões amarelos - Zé Eduardo, Neymar, Freitas, Corujo e González; Árbitro - Sergio Pezzotta (Fifa-ARG); Renda - R$ 4.266.670,00; Público - 37.984 pagantes (40.157 presentes); Local - Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP).