São Caetano força saída de Picerni

Jair Picerni tem até segunda-feira para encaminhar à diretoria do São Caetano seu pedido de demissão do cargo de treinador. O prazo foi definido nesta quinta-feira em reunião da qual participaram os principais dirigentes do time paulista, realizada na sede do clube, em São Caetano do Sul. E há uma explicação para a escolha do dia. Na terça-feira está marcada a reapresentação do grupo de jogadores. Nessa data, espera-se que o novo técnico seja apresentado e inicie o trabalho visando ao Campeonato Brasileiro. A vaga deve ficar com Nelsinho Baptista, ex-São Paulo. Essa foi a primeira conseqüência da derrota para o Olimpia por 2 a 1 (4 a 2 nos pênaltis), que resultou na perda do título da Taça Libertadores, considerado ganho após a vitória por 1 a 0 no primeiro jogo, em Assunção. A definição do prazo levou em consideração dois pontos. O primeiro é a imagem de organização e boa administração que o clube conseguiu difundir pelo País desde que chegou à final da Copa João Havelange, em 2000. Uma vez que um dos aspectos mais elogiados foi exatamente o fato de dar ao treinador tempo para trabalhar e não ceder às pressões naturais das derrotas, sobretudo em finais, os cartolas não querem demiti-lo para manter essa fama. O segundo é a consideração que tem pelos ?serviços prestados? por Picerni ao clube nos últimos anos. Um eventual afastamento sumário do técnico poderia ser encarado como um gesto indelicado. Assim, a alternativa foi pressioná-lo para pedir demissão. Como é costume, os dirigentes não quiseram falar sobre o assunto. "Vamos nos pronunciar somente na segunda-feira", afirmou o vice-presidente de Futebol, Luiz de Paula, que aproveitou para negar a existência do ?encontro de cúpula?, do qual também participaram o diretor de Futebol, Genivaldo Leal, o presidente Nairo Ferreira de Souza e o prefeito de São Caetano e presidente de honra do clube, Luiz Olinto Tortorello. Lá e cá - A posição da diretoria surpreendeu Picerni. Mesmo abatido, o técnico, logo após o jogo, ainda falava como dono do cargo. "Isso (o resultado) nos aborreceu um pouquinho. Mas o negócio é dar continuidade ao trabalho", dizia. Mesmo assim, assumiu a responsabilidade pela terceira derrota seguida em finais. Contudo, no mesmo instante em que o treinador tentava se explicar, nos bastidores sua saída começava a ser definida. Irritado com a forma como a equipe deixou a vitória escapar nos últimos 45 minutos e, principalmente, com o comportamento de Picerni (foi expulso no final do primeiro tempo), o diretor de Futebol, Genivaldo Leal, dava a exata impressão do que passava pela mente dos cartolas. "Isso (a expulsão) atrapalhou muito. Não dá para perder um título desse jeito!" lamentou. E prosseguiu: "Às vezes, para resolver, não basta trocar apenas jogadores. É preciso mudar a filosofia também."

Agencia Estado,

01 Agosto 2002 | 21h47

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