Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Seleção brasileira supera resistência e se aproxima dos paulistanos

Antes temida e tida como exigente, torcida de São Paulo ganha dois jogos do Brasil nas Eliminatórias na cidade

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2017 | 17h00

Duas grandes guinadas marcaram a campanha da seleção brasileira nas Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia. A primeira delas foi a reação da equipe sob o comando do técnico Tite. A outra ocorreu fora de campo e foi até mais surpreendente, com a grande aproximação do grupo com o antes temido e evitado torcedor paulistano.

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A cidade de São Paulo será a única do Brasil a ter recebido dois jogos da seleção pelo torneio. A Arena Corinthians sediou em março o encontro com o Paraguai. Na terça-feira será a vez de o Allianz Parque receber a partida contra o Chile, em um ato de coroação das duas guinadas. O Brasil recuperou a confiança com a grande campanha e se permitiu visitar um território onde historicamente enfrentou atos hostis e de reprovação.

As passagens anteriores da seleção por São Paulo pelas Eliminatórias tiveram vaias, pouco apoio e atitudes antipáticas como o arremesso coletivo de bandeiras das arquibancadas do Morumbi durante a partida com a Colômbia, em 2000. 

Esses episódios deixaram a CBF temerosa em realizar jogos em São Paulo. A campanha ruim na Copa em casa e a preocupação com as Eliminatórias fizeram a entidade estabelecer um plano inicial de jogos bem distante do Sudeste do Brasil. O presidente Marco Polo Del Nero encampou a ideia do então técnico da equipe, Dunga, para que a seleção brasileira fosse somente aonde pudesse ser bem tratada. Assim, levou o time para as novas arenas do Nordeste.

A região recebeu as quatro primeiras partidas do Brasil em casa. Outras partes do País só ganharam espaço depois de a seleção ter conseguido bons resultados e resgatado o apoio da torcida. Sob o comando de Tite nas Eliminatórias foram nove vitórias e dois empates. "O último jogo em casa é uma forma de agradecer à torcida por tudo o que fez por nós", disse Neymar.

A aproximação com São Paulo teve também componentes políticos e de infraestrutura. O paulistano Del Nero fez a CBF ser uma entidade menos focada no Rio de Janeiro e estreitou laços com clubes de São Paulo. A postura de tentar agradar a todos leva, por exemplo, a seleção a ter treinado neste ano nos CTs dos três grandes da capital, fora ter escolhido como chefes de delegação em viagens ao exterior neste ano os presidentes do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e de Palmeiras, Mauricio Galiotte.

O Allianz Parque terá uma grande festa de despedida, pois vai ser o último jogo da seleção no Brasil antes da Copa. Preterido para receber a partida, o Maracanã foi considerado sem condições pela CBF – principalmente por suas altas taxas –, enquanto a arena palmeirense usou como trunfo a reforma recente das instalações para a imprensa, uma das exigências da entidade para os jogos do Brasil.

Outra cidade deixada para trás foi Brasília. A capital recebeu duas partidas da seleção nos Jogos Olímpicos, mas perdeu espaço na preferência da CBF.

 

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'Organizadas' da seleção prometem festa na terça-feira

Grupos de torcedores querem levar bandeiras, faixas e instrumentos musicais para a partida contra o Chile

Luis Filipe Santos, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2017 | 17h00

"Estamos preparando uma grande e bela festa no nosso último jogo". Estas palavras foram ditas por Edu Gaspar, diretor de seleções da CBF, durante a coletiva para a última convocação das Eliminatórias. Elas animaram grupos de torcedores, que há anos tentam liberação para fazer uma festa maior para a seleção dentro dos estádios.

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Três "organizadas" da seleção se movimentam para embelezar o Allianz Parque no jogo contra o Chile: a Torcida Canarinho, fundada em 2005; o Movimento Verde-Amarelo, surgido em 2010; e o Núcleo-BR, que passou a existir em 2014. As lideranças dos grupos conversam entre si para alinhar detalhes.

"Queremos entrar com tudo, faixas, bandeiras e instrumentos musicais, o que depende da organização do evento, ou seja, da CBF. Estamos esperando uma resposta, um sinal verde, e parece que dessa vez vamos conseguir. Desejamos também conseguir a liberação para fazer fumaça dentro do estádio, antes do jogo começar, para não atrapalhar o andamento", diz Daniel Leon, líder da Canarinho.

Além disso, os grupos querem recepcionar os jogadores da seleção quando o ônibus estiver chegando ao Allianz. "O jogo é às 20h30, o time deve chegar mais ou menos duas horas antes. Estaremos lá, fazendo barulho e pirotecnia, com luzes e fumaça colorida", conta Carlos Madeira, líder do Núcleo-BR.

No Allianz Parque, as torcidas ficarão no setor Superior Norte, o que vendeu ingressos mais baratos – segundo Madeira, para ficar próximo ao "povão". A Polícia Militar paulista diz que se todos os trâmites burocráticos forem cumpridos, como especificado em julho deste ano, não haverá empecilhos à entrada do material. A CBF não informou se vai liberar os instrumentos, bandeiras e faixas.

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