Pedro Chaves/Fortaleza E.C
Pedro Chaves/Fortaleza E.C

Éros Mendes e Filipe Strazzer, especial para o Estado

21 Outubro 2017 | 07h02

O fim de semana pode ser histórico para o futebol alagoano. Por volta das 21h deste sábado (21), ao término da segunda partida da final da Série C entre CSA e Fortaleza, no estádio Rei Pelé, os atletas e torcedores azulinos flertam com a possibilidade de conquistar o primeiro título nacional do Estado. No jogo de ida, a equipe venceu por 2 a 1 fora de casa e atua agora por um empate para ser campeã.

+ Veja como foi o primeiro jogo da final da Série C

A chance da conquista representa o renascimento do Centro Sportivo Alagoano (CSA), fundado em sete de setembro de 1913. Há dois anos, em 2015, o time estava adormecido no cenário nacional. Sem divisão, era difícil acreditar que em 2017 a equipe comandada pelo técnico Flávio Araújo teria a melhor campanha da Terceira Divisão. Ao todo, até o duelo derradeiro contra o Fortaleza, foram 23 jogos, com 12 vitórias, oito empates e três derrotas. 

O sucesso em campo pode ser atribuído à gestão fora das quatro linhas. Sob a batuta do presidente Rafael Tenório, o clube se reestruturou. Atualmente, a maior fonte de receita é o programa de sócio-torcedor com 5 mil associados em dia. Há também patrocínio master na camisa e a quarta melhor média de público da terceirona, com 8.075 torcedores em jogos como mandante. Mas, de acordo com o mandatário, o panorama era bem diferente há alguns anos. "Como o CSA estava falido, precisava que se injetasse recursos dentro do clube e eu injetei para poder honrar os compromissos", revela.

"Todas as vezes em que são feitos aportes financeiros, o Conselho toma conhecimento e tudo é aprovado em assembleia. O objetivo é tornar o CSA um clube-empresa. Assim, no futuro, quando a instituição estiver se pagando, a gente pode reaver os valores que foram injetados", acrescenta o cartola. O mesmo expediente foi feito no Palmeiras na gestão de Paulo Nobre. O clube tenta hoje quitar as pendências com o ex-presidente.

Com as finanças em dia e a vaga na Segundona assegurada, a meta é manter a estabilidade nos próximos anos. Para dar melhores condições de trabalho aos profissionais, também existe o plano da construção de 20 apartamentos, que servirão como concentração. "Para 2018, já concluímos o planejamento estratégico. A ideia é fazer uma boa campanha na Copa do Nordeste, brigarmos pelo título alagoano, pois há muito tempo não conquistamos. Na sequência, estudar o primeiro turno da Série B. Assim, dependendo da situação, vamos poder pensar em algo maior, que seria uma classificação para a Série A".

BICHO GORDO

Atualmente, a folha do clube gira em torno de R$ 550 mil por mês, enquanto o teto salarial é de R$ 25 mil. Mas para não abalar a harmonia do plantel, Tenório diz que não gosta de grande discrepância na remuneração dos jogadores. "Temos somente dois atletas que recebem o teto. Procuro equilibrar bastante para não haver posições de desconforto dentro do grupo".

Neste sábado, em caso de vitória diante do Fortaleza, o elenco terá premiação pela conquista. Embora não tenha revelado valores, Tenório disse que já está com o montante separado para, se for o caso, entregar aos jogadores. "Fiz um juramento que não iria revelar. Mas o bicho é gordo (risos). Já estou com ele guardado. Quero entregar na segunda-feira, em um jantar que pretendemos fazer com os atletas e as famílias. Já está tudo pronto. Sou um homem que faz as coisas, programo mesmo, porque acredito. Vai ficar bonito", disse Padrão Rafael Tenório.

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Éros Mendes e Filipe Strazzer, ESPECIAL PARA O ESTADO

21 Outubro 2017 | 07h02

A história do CSA já teve fortes laços com a política alagoana. Por exemplo, nas décadas de 1970 até 1990, a família Collor de Mello foi influente no clube. O ex-presidente da República e senador Fernando Collor (PTC) foi mandatário do clube nos anos de 1970 e 1980. O CSA também teve em seus quadros diretivos Euclydes Mello - senador e primo de Collor; o filho do ex-presidente, Arnon de Mello; e João Lyra, ex-deputado federal e sogro de Pedro Collor, irmão do ex-presidente da República.

Além deles, outros membros do executivo e do legislativo de Alagoas e de Maceió já comandaram o clube ou estiveram em cargos de destaque.

Segundo Rafael Tenório, por muito tempo o CSA foi administrado com "intuito eleitoreiro". "O CSA foi bastante utilizado para fins políticos", afirma. Atualmente, no entanto, o estatuto do clube não permite mais que membros da diretoria estejam atuando em cargos eletivos. No artigo 30, que versa sobre as eleições no CSA, o parágrafo 5.º destaca que: "não serão aceitas inscrições de pessoas filiadas a partidos políticos detentoras de mandato eletivo para qualquer dos cargos citados no caput deste artigo".

Assim, membros do Conselho Deliberativo, Presidência Executiva e Conselho fiscal não podem mais ter vínculos partidários, como ocorria antigamente. "Nós conseguimos mudar o estatuto do clube para evitar isso", comenta Tenório.

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Éros Mendes e Filipe Strazzer, ESPECIAL PARA O ESTADO

21 Outubro 2017 | 07h02

Com 34 anos, o volante Rosinei é tratado pelos outros atletas do CSA como referência. Campeão brasileiro pelo Corinthians (2005) e da Libertadores pelo Atlético-MG (2013), o jogador é um dos mais experientes do grupo e sabe da importância dessa vivência para o elenco antes da decisão da Série C neste sábado, contra o Fortaleza.

“Tudo aquilo que aprendi lá atrás eu procuro passar para meus companheiros. Busco sempre dar uma orientação, às vezes no posicionamento, às vezes um passe, uma visão de jogo que a gente não percebe”, diz. Para a final, Rosinei afirma que já aconselhou os colegas. “Temos de estar com a cabeça fria e o coração fervendo para não sermos surpreendidos”.

Outro destaque é o meia Daniel Costa. Aos 29 anos e com 11 clubes na carreira, ele é o líder técnico do Azulino. Com estilo de jogo clássico, o meio-campista tem nas bolas paradas um dos pontos fortes do seu jogo. Este ano, foram 35 aparições e cinco gols anotados. Na primeira partida da final, diante do Fortaleza, teve exibição de gala, com direito a chapéu e participação nos dois gols da equipe.

Agora, às vésperas da decisão, o maestro, comemora a boa fase e diz que o apelido de Maestro foi algo que surgiu naturalmente ao longo dos anos. "Tenho vivido um bom momento junto com a equipe. Consegui crescer e participar efetivamente de lances importantes. Sobre o apelido, foi algo natural, porque penso o jogo, mas não busquei por isso".

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