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Sem Gareca, Palmeiras terá de acertar rescisão e 'acomodar' reforços

Ciro Campos - O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2014 | 06h 50

Clube deverá pagar R$ 800 mil para técnico argentino, além de encontrar espaço para jogadores trazidos pelo ex-técnico

Com pouco mais de 100 anos de vida, o Palmeiras é atualmente um time sem técnico, de futuro incerto e inseguro sobre o que deve fazer. A demissão de Ricardo Gareca, nesta segunda-feira, faz a diretoria ter de lidar com o legado do projeto de time rascunhado pelo argentino e estabelecer um trabalho de urgência para evitar o rebaixamento à Série B.

A "era Gareca" durou apenas três meses. Apesar disso, o clube vai ter de pagar uma rescisão de cerca de R$ 800 mil e continuar no elenco com quatro jogadores argentinos trazidos à pedido do ex-técnico. Allione, Cristaldo, Mouche e Tobio têm no mínimo mais quatro anos de contrato e ainda não tiveram boas atuações pela equipe.

O valor a ser pago como rescisão a Gareca equivale a aproximadamente a metade do que o técnico receberia até o fim do contrato, previsto para junho de 2015. Foram 13 jogos sob o comando do argentino e em nenhum deles a escalação se repetiu. A falta de um time-base se refletiu nos resultados: apenas quatro vitórias, e o aproveitamento de 16,6% em jogos pelo Brasileiro, índice inferior ao do lanterna, o Vitória.

JF Diorio/Estadão
Gareca deixa no Palmeiras jogadores que trouxe da Argentina

A metodologia do treinador, avesso à treinos táticos e técnicos, deixou a diretoria descontente. Antes do último jogo pelo clube, a derrota para o Internacional, o time titular não chegou a treinar junto.

Quem volta a assumir o cargo de técnico interino é o auxiliar Alberto Valentim. Entre maio e junho ele comandou o time em sete partidas e nesta segunda-feira já trabalhou no treino tático realizado na Academia de Futebol. 

O presidente Paulo Nobre disse nesta segunda-feira não ter pressa para escolher o substituto, mas admitiu o medo de ver o clube rebaixado no ano do centenário.

"O Palmeiras está em uma posição incômoda e se tomássemos uma atitude mais tarde poderia ser tarde mais. Melhor ser proativo do que reativo", explicou o dirigente, que está confiante com a permanência na Série A. "O time não vai cair, porque com a força da torcida o elenco cresce muito. Pela atitude exemplar que a torcida está tendo, vamos contar com o Pacaembu com mais de 30 mil pessoas nos jogos", afirmou.

Nobre não quis falar de possíveis substitutos e fez questão de elogiar Gareca. Para o presidente, o argentino teria sucesso a “médio e longo prazo”, mas era impossível esperar por isso. "Faltava evolução e precisamos fazer a troca. A diretoria pode errar por ação, mas não por omissão", disse.

Gareca esteve segunda-feira na Academia de Futebol durante cerca de 1h15. Depois de passar o domingo de folga na Argentina, foi se reunir com dirigentes, que lhe comunicaram a saída.

O argentino parou para falar com os jornalistas na saída e admitiu ter feito um trabalho ruim. "Não tive os resultados esperados. Não estou decepcionado com a diretoria. Estou decepcionado com os resultados ruins", disse. Gareca elogiou a estrutura do clube, agradeceu à torcida e lamentou a dificuldade de um estrangeiro em trabalhar como técnico no Brasil.

AGENDA COMPLICADA

A transição de técnico no Palmeiras se dá em uma semana de compromissos difíceis. O primeiro compromisso de Alberto Valentim será na quinta-feira, em Belo Horizonte. Diante do Atlético-MG o time precisa ganhar por dois gols de diferença, ou por um gol a partir de 2 a 1, para avançar na Copa do Brasil.

No domingo será a vez de ir a Curitiba. Na última rodada do primeiro turno do Brasileiro o adversário é o Atlético-PR, time que vai jogar embalado pela estreia da torcida no seu estádio em jogo válido pela competição.