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Sintam-se em casa

O termo usado e abusado, para ilustrar os embates políticos que fazem sacolejar a rotina do País, é “clima de Fla-Flu”. Compreensível, porém injusta, a expressão, ao carregar tom pejorativo, de discórdia e tensão. O encontro entre rubro-negros e tricolores, por história e tradição, é dos eventos mais festejados do futebol pátrio, começou 40 minutos antes do nada, para citar um dos bordões famosos de Nelson Rodrigues. Não tem a ver com disseminação de ódio. Está, no máximo, para rusgas memoráveis.

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Antero Greco

20 Março 2016 | 03h00

Por circunstâncias que só acontecem no Brasil – quase escrevia que só acontecem com o Botafogo, mas deixemo-lo (ai!) em paz –, Flamengo e Fluminense ficaram sem palco para enfrentar-se. Descartados Maracanã e Engenhão, às voltas com problemas administrativos e/ou Olimpíada, assim como ignorados Mané Garrincha, Arenas Pantanal, Amazônia e similares, por causa dos deslocamentos, saiu-se à procura de local alternativo. Assunta daqui, cavouca dali, e despontou o Pacaembu como ideal. Bela escolha.

O “Paulo Machado de Carvalho”, imponente e acolhedor, vetusto e simpático, abre as portas para os cariocas cumprirem o compromisso da tabela pelo Estadual do Rio. Escancara entranhas para que ambos se sintam em casa. E não é a primeira vez. Jovenzinho ainda, cheirando a tinta e cimento frescos, o Estádio da Municipalidade, como frisavam locutores e jornais de antanho, hospedou o clássico em 12 de março de 1942. Placar final: 0 a 0.

O Fla-Flu é um bom programa para o paulistano que fica sem partidas neste domingo, pois o Corinthians jogou ontem, enquanto São Paulo, Santos e Palmeiras têm compromissos fora. Isso explica, em parte, a procura alta por ingressos. Não são apenas nascidos no Rio que moram aqui os interessados nos bilhetes. O público tende a ser variado e vai à espera de diversão garantida. Daí, depende do que farão as turmas de Muricy Ramalho e Levir Culpi.

O espetáculo incomum não esconde uma constatação: inadmissível equipes com o peso das duas de hoje – e do Botafogo, agora sim vale a lembrança – ficarem quase uma temporada inteira sem atuar na própria sede. Ok, o Rio tem São Januário, mas ele é incapaz de suportar sozinho as agruras do calendário. Uma pena que isso ocorra.

Em princípio, soa curioso ver o trio carioca a circular por aí como trupe de artistas mambembes, numa espécie de “Bye, Bye, Brasil”. Por trás disso, há prejuízos enormes. Se não do ponto de vista financeiro, pois tem empresa que banca despesas e lhes distribui caraminguás, mas no aspecto técnico e físico. Com o tempo, o desgaste aumentará e tende a refletir-se nos resultados em campo.

Tenha certeza de que haverá cobranças dos torcedores. A conta sobrará para técnicos e jogadores. Questão de mais alguns meses.

Por consolo, no momento curtam o templo da bola. E voltem, não digo sempre, mas toda vez que for necessário.

CASA DA SOGRA

O São Paulo consegue superar-se nas confusões. Não há meio de sossegar. A mais recente veio com fogo amigo e a demissão (de novo!) de Ataíde Gil Guerreiro do comando do futebol profissional. Além disso, ensaia-se reformulação no elenco. Como é que é?! A temporada não tem três meses completos e já se constatou que a turma montada para 2016 não serve?!

Pelo andar da limusine, não demora para Edgardo Bauza ter a mesma percepção de Juan Carlos Osorio de que entrou em barca furada. Eventual desclassificação na Libertadores – risco hoje de tamanho razoável – pode fazer estragos na comissão técnica. Enquanto o torneio sul-americano não retorna, há o Paulista, com jogo complicado neste domingo com o Ituano. Que São Paulo o torcedor verá? Incógnita.

CASA DESARRUMADA

Cuca mexe no Palmeiras para pegar o Audax. Este jogo e os 4 próximos são o laboratório de que dispõe para montar equipe forte o suficiente para tentar vitória contra o Rosario, última chance de manter-se vivo na Libertadores. 

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