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Sistema adotado pela Alemanha é a nova aposta de Flávio Trevisan

Preparador físico, que já trabalhou no Corinthians e Palmeiras, acredita que a Exus vai colocar os atletas em outro patamar

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 16h24

Flávio Trevisan tem mais de três décadas de carreira como preparador físico. Trabalhou em clubes como Corinthians e Palmeiras, esteve no Japão, no futebol árabe e, aos 59 anos, poderia desacelerar. Decidiu tomar o rumo contrário e acelerar. Nos últimos meses, tem se dedicado ao estudo e ao ensinamento de um sistema que, acredita, irá revolucionar a preparação física no esporte, notadamente o futebol. É a Exus, que enfoca prioritariamente o movimento.

Criado em 1999 nos Estados Unidos, a Exus se baseia em "quatro pilares'' de sustentação: mentalidade (entendimento e conscientização sobre o sistema), nutrição, movimento e recuperação.  É bastante usado em franquias da NBA e da NFL e, no futebol, já foi adotado vários clubes e seleções.

A principal delas é a seleção alemã, atual campeã mundial, que trabalha com o método desde 2005. Mas as seleções da Polônia e dos EUA e times como Bayern de Munique, Sporting, Everton, Los Angeles e Galatasaray também o adotaram. No Brasil, por enquanto, é utilizado por Atlético Paranaense (desde 2015) e Flamengo (a partir deste ano).

Na prática, a preparação do atleta com base na Exus começa cerca de uma hora antes da ida ao campo – ou à sala de musculação, por exemplo. Diariamente, o jogador passa por uma preparação para o treino, chamada de "preparação de pilar'' e composta de sete itens: massagem, alongamento, ativação, ativação com minibandas, alongamento dinâmico, integração do movimento e ativação neural. "É um pré-treino. Ou seja, você está fazendo uma preparação para o jogador chegar no treino já preparado'', diz Trevisan.

Nessa preparação, dois itens são individualizados, com base na avaliação funcional do movimento do atleta: o alongamento e a ativação. "Se o jogador tem uma descompensação, um desequilíbrio, uma falta de alongamento no posterior, no adutor, a gente já vai fazer o alongamento de acordo com o que o jogador precisa", explica o preparador físico ao Estado. Em seguida, são aplicados os últimos quatro itens do processo. "Terminou isso, o jogador já vai fazer o treinamento que foi determinado para aquele dia, no campo, na musculação, etc.''

Um dos benefícios do método, diz, é poder mapear o perfil atlético do jogador, aumentar a capacidade de melhorar o desempenho e reduzir o risco de lesão, seja muscular seja articular. "Esse trabalho, além de melhorar a performance do jogador e seu nível de disposição para o treinamento, minimiza lesões. Não só musculares, mas articulares", garante Trevisan. "Isso porque o músculo estando mais reforçado, com mais elasticidade, tonicidade, você vai ter uma proteção melhor.''

Flávio Trevisan conheceu a Exus quando trabalhou no Catar – ficou quatro anos no país árabe, entre 2010 e 2014. "Lá tinha um grupo de americanos na seleção que estava fazendo um trabalho diferente. Inclusive tinha um preparador brasileiro, o Marcelo Martins, que depois foi trabalhar no Bayern de Munique. E todos os anos clubes alemães vão fazer intertemporada no Catar em janeiro. Aí eu vi o método, comecei a me interessar e a estudá-lo'', contou.

Agora, pretende trazê-lo com mais ênfase ao futebol brasileiro e, para isso, está concluindo sua certificação no sistema, o que ocorrerá no mês de dezembro. "É um caminho sem volta para os esportes em geral'', acredita. "Essa preparação não será o futuro, já é o presente."

No entanto, Trevisan reconhece que pode haver resistências, tanto por parte dos jogadores como dos dirigentes.  Mesmo porque vai mexer na rotina da preparação a que todos estão acostumados. 'Já está acabando aquele negócio de o jogador ficar no vestiário batendo papo enquanto espera o horário do treino começar. Ou então o cara chegar em cima da hora, trocar de roupa correndo e ir para o campo treinar. Em qualquer setor de atividade é preciso uma preparação para dar início ao trabalho'', afirma.

Uma outra etapa a ser vencida para o sucesso da implantação do processo é conscientizar os atletas sobre os benefícios, diz o preparador físico. "O jogador brasileiro não se conscientiza facilmente, o que é preciso é começar o trabalho e gradualmente você colocando esses itens. É importante o atleta entender o que é e como fazer", enfatiza. "Mas creio que o mais importante é o clube aceitar esse sistema, se o dirigente estudar isso, o gestor do futebol, eu acho que ele vai entrar nesse caminho."

O convencimento do dirigente também deverá passar pela questão financeira. Para implantar a Exus, é preciso investir na aquisição de equipamentos. O valor vai depender da necessidade e do objetivo, mas deve variar em média de R$ 200 mil (compra de três aparelhos, uma unidade de cada) a R$ 750 mil (vários aparelhos, alguns com duas unidades). "Mas acredito que a resistência será mais uma questão de receio ou de falta de conhecimento; se o dirigente tomar conhecimento de como funciona, ele vai aceitar'', espera Trevisan.

 

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