Jamil Chade|Estadão
Jamil Chade|Estadão

Sob boicote, Catar diz que realização da Copa do Mundo não está 'sob discussão'

Candidatura do país árabe é suspeita de corrupção e trabalhadores enfrentam condições degradantes nas obras

Estadão Conteúdo

11 Outubro 2017 | 12h50

O Catar criticou fortemente, nesta quarta-feira, as autoridades dos Emirados Árabes Unidos por questionar a realização da Copa do Mundo de 2022 no país, dizendo que o torneio "não está em discussão nem em negociação" em meio a uma crise diplomática regional.

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O conflito se dá no momento em que vários países árabes, incluindo os Emirados Árabes Unidos, boicotam o Catar há meses, sob o argumento de que respalda extremistas islâmicos e tem laços estreitos com o Irã. O Catar nega as acusações.

O Departamento de Comunicações do Governo do Catar disse nesta quarta-feira que os comentários sobre a Copa do Mundo mostram que o boicote "está baseado no ciúme e em preocupações insignificantes e não reais"."Este processo é uma tentativa clara de minar nossa independência. A Copa do mundo, como nossa soberania, não está em discussão ou negociação", disse o comunicado.

Empresas de lobby e grupos de interesses financiados por países árabes têm concentrado seu boicote cada vez mais na Copa do Mundo do Catar. Eles apontam acusações de corrupção na candidatura, além de exporem as condições precárias que enfrentam os trabalhadores na construção da infraestrutura para o torneio.

No último domingo, o tenente-general de Dubai, Dhahi Khalfann, escreveu no Twitter que a única forma de encerrar a "crise no Catar" era se Doha renunciasse ao torneio. Posteriormente, ele afirmou que a sua "análise pessoal" das pressões financeiras que enfrenta o Catar para realizar a Copa do Mundo haviam sido mal interpretadas.

Nesta terça-feira, o ministro de Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash. escreveu no Twitter que a realização da Copa do Mundo pelo Catar deve incluir "uma renúncia às políticas que apoiem o extremismo e o terrorismo".

Bahrein, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos começaram seu boicote ao Catar no dia 5 de junho. As mediações, lideradas por Kuwait e Estados Unidos, não resolveram a crise, a pior na região desde a invasão do Iraque pelo Kuwait em 1990.

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