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Sofre quem perde

A crônica do futebol é repleta de lugares-comuns – e está na hora de rever conceitos. Um dos chavões consiste em exagerar no uso do verbo “sofrer”, sempre que se pretenda dar a dimensão da dificuldade de um jogo ou torná-lo épico e único. Daí, se vê um tal de “Time A sofre, mas vence”, “Com muito sofrimento, equipe B passa por rival”, “Vitória sofrida do Clube C”, e assim por diante. Pra valer, sofre é aquele que sai de campo derrotado; o outro tem suor recompensado. Mais justo e sensato com os combatentes delimitar o padecimento.

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Antero Greco,
O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2016 | 03h00

Reparo feito, vamos ao que interessa, como diria o locutor tradicionalista e só de olho na bola. Aperto não faltou no primeiro desafio oficial do Corinthians, no torneio menos importante daqueles que lhe reserva o calendário de 2016. Os efeitos da devastação provocada pela debandada de titulares apareceram na estreia no Paulistão.

Em circunstâncias normais, e já deduzidas as limitações de início de trabalhos, a turma anterior de Tite tiraria de letra o obstáculo que veio de Piracicaba. Ainda mais ao apresentar-se em Itaquera, onde se contam nos dedos de uma mão os tropeços. Pois é, tiraria... se a formação que terminou 2015 com o título brasileiro, em alta e com prognósticos pra lá de otimistas para este ano, não tivesse virado fumaça por causa de yuans, euros e dólares.

O Corinthians emperrou diante de rival arrumado e pouco ousado – e essa deve ser a tendência, ao menos por algum tempo e até que a meia dúzia de novos titulares fique à vontade, encorpe e ganhe confiança geral. Por isso, não ficou fora de propósito o placar magro, trivial, obtido nos acréscimos, em lance que contou com a precisão de Rodriguinho (no lançamento), de Elias (ao antecipar-se à zaga) e de Romero (na espera do rebote, que apareceu). Poderia ter sido 2 a 0, se Rodriguinho não falhasse em cobrança de pênalti.

O Corinthians esteve longe de empolgar, e o torcedor que marcou presença no estádio (mais de 30 mil pagantes) sabia disso. Impossível esperar equipe recomposta com um mês de atividade e com baixas significativas como a do quarteto Gil, Jadson, Ralf e Renato Augusto, fisgado por chineses. A reação em princípio foi a de paciência. 

Os ruídos na comunicação entre os setores alvinegros deram o ar da graça. Na zaga, Felipe e Yago algumas vezes se confundiram no bote e abriram brecha para cabeçadas de piracicabanos – duas passaram bem perto das traves de Cássio e outra foi para o gol, mas corretamente anulada. No meio, Elias sobressaiu ao tomar a iniciativa das jogadas, apesar de aparecer pouco de surpresa. Na vez solitária em que apelou para tal recurso, saiu o gol da vitória. 

Bruno Henrique se esforçou para tapar o buraco na proteção à zaga provocado com a saída de Ralf. Mais à frente, Rodriguinho e Lucca esboçaram as trocas de posição antes desenvolvidas com harmonia por Jadson e Renato Augusto. O paraguaio Romero ocupou o lado direito. Danilo apareceu menos e Tite deve rever a função dele, assim que tiver Guilherme em condições. 

O treinador optou por manter por enquanto esquema testado, aprovado e aplaudido. Confirmação ou mudanças de rumo dependerão dos atletas. O tira-gosto não foi ruim nem amargo, o que também não significa muito. O sabor do prato principal virá nos clássicos estaduais e na Libertadores. Tem muito chão por aí. Só para frisar: sofrida foi a volta pra casa da delegação do XV de Novembro.

Teste tricolor

O empate com o Red Bull, na noite de sábado, não foi nenhuma maravilha. O 1 a 1 em Campinas mostrou que o São Paulo carece de muitos ajustes e, óbvio, sente o baque de não ter mais Rogério, Luís Fabiano e Pato. Por isonomia com o Corinthians, por exemplo, lhe cabe o benefício do crédito de confiança. O time passa por transformações, está sob novo comando e pode tirar lições interessantes para os duelos com o Cesar Vallejo pela fase preliminar da Libertadores. O primeiro teste de fogo de Edgardo Bauza e rapazes fica para o meio de semana.

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