STJD pode anular Liga Rio-São Paulo

Os seis primeiros colocados do Torneio Rio-São Paulo podem ficar fora da Copa dos Campeões, direito que lhes estaria assegurado por um acordo anterior entre a Confederação Brasileira de Futebol e a direção da Liga Rio-SP. Mas o desrespeito ao Artigo 1.º da Resolução de Diretoria (RDI) 13/01 da CBF tende a comprometer essa garantia. O documento determina que os exames de "doping" de qualquer competição organizada pelas ligas regionais tenham de ser "operacionalizados" pela CBF. A Liga que reúne clubes cariocas e paulistas contratou serviço paralelo para a realização dos exames. Isso pode resultar na suspensão de seu registro provisório, medida que será estudada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) no início desta semana. Se isso ocorrer, os jogos do Rio-São Paulo não teriam validade para a CBF e as equipes não seriam indicadas para a Copa dos Campeões. A polêmica surgiu quando o presidente da Comissão Nacional de Controle de Dopagem da CBF, Tanus Jorge Nagem, fez um comentário sobre uma irregularidade cometida pelo atacante Romário, no clássico Flamengo x Vasco, disputado no domingo (10/3). Sorteado para se submeter ao exame, o jogador do Vasco deixou o Maracanã sem fazer a coleta da urina. A rigor, não poderia tomar essa atitude, por estar infringindo Portaria do MEC, nº 531, de 10 de julho de 1985. Romário seguiu para casa, onde entregou o material ao médico do Vasco, Alexandre Campelo, e a dois representantes da empresa contratada pela Liga. Assim, eximiu-se de culpa. Nagem abordou o assunto, ao ser indagado por repórteres na sede da CBF, na noite de sexta-feira. Então, explicou que não podia falar mais sobre o caso porque a comissão que preside não estava envolvida com o Rio-São Paulo. A confusão ganhou dimensão com a confirmação do vice-presidente da Liga, David Fischel, de que os exames de "doping" dos jogadores do Rio-São Paulo não estão mesmo sendo realizados pelo Laboratório de Desenvolvimento Tecnológico (Ladetec) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que mantém convênio com a CBF. Fischel, presidente do Fluminense, disse desconhecer a alínea "L" do Artigo 1º da RDI 13/01. "Não tinha conhecimento disso." Um advogado da Liga, que pediu para não ser identificado, também deixou claro que não sabia do impedimento legal e falou que no estatuto da Liga nem sequer foi discutido esse aspecto. Para o jurista Valed Perry, alto funcionário do Departamento Jurídico da CBF, o fato é grave. "A Comissão de Dopagem teria de nos ter comunicado sobre isso." Um auditor do STJD disse para a Agência Estado que o Tribunal vai interpelar a CBF para tomar providências. E que, confirmando-se a infração, o STJD deve suspender o registro da Liga. Isso também significaria dizer que os jogos do Rio-São Paulo passariam a não ser reconhecidos oficialmente pela CBF. "Com isso, abriria até a possibilidade de outra pessoa ou grupo registrar nova Liga Rio-São Paulo na CBF", declarou o auditor, que preferiu não ter o nome revelado.

Agencia Estado,

16 Março 2002 | 19h48

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