Fábio Motta/ Estadão
Fábio Motta/ Estadão

Suíça afirma que investigação sobre corrupção no futebol pode ser ampliada

Departamento de Justiça indicou que caso 'deve ir para prorrogação' com novas descobertas

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

31 Maio 2017 | 14h09

Dois anos depois das prisões de cartolas do futebol, o Departamento de Justiça da Suíça alerta: o processo de investigação que causou uma turbulência no esporte "pode ir para a prorrogação", numa referência clara de que o caso deve ser ampliado, com novas revelações. Num documento sobre suas atividades em 2016, o órgão do governo suíço deixou claro que milhões de dólares estão congelados em contas pertencentes a dirigentes e que o inquérito ainda não acabou.

Em 2015, um total de nove dirigentes foram presos na Suíça e extraditados, a pedido dos Estados Unidos. Entre eles estava José Maria Marin, então presidente da CBF. Mas o Departamento de Justiça deixou evidente que os tribunais do país trataram do assunto com total prioridade, inclusive por causa da possibilidade de que os casos pudessem "potencialmente afetar as relações bilaterais entre Suíça e EUA". Assim, em maio de 2016, o último dos presos foi entregue à Justiça americana. 

Mas as autoridades suíças ressaltaram que o trabalho não havia terminado. "De fato, ele continua", disse uma dessas autoridades. "Depois que várias contas bancárias foram congeladas e evidências coletadas em maio de 2015 a pedido das autoridades dos EUA, em 2016, um grande número de documentos bancários obtidos pôde ser entregue aos EUA", explicou. "O número de documentos implicados era enorme, e nos colocou um desafio considerável." 

Além dos extratos bancários, o Departamento de Justiça teve de obter dados dos diferentes cantões suíços e atualmente os investigadores estão "examinando a relevância desses processos criminais nos EUA".

Sobre os valores milionários congelados até agora, Berna não informa os montantes precisos. Mas indica que estaria na casa de dois dígitos, o que apontaria ser menos de US$ 100 milhões (R$ 3,2 milhões). "Os ativos continuam congelados e continuarão assim até a decisão final nos EUA", explicou o Departamento de Justiça.

"Ainda que uma grande parte do processo tenha sido completada em 2016, certos aspectos individuais ainda estão pendentes", disse. "Em termos de futebol, estamos nos últimos quinze minutos de jogo. Mas não se pode excluir que novas descobertas por parte das autoridades dos EUA, ao analisar o material repassado, façam novos pedidos de assistência legal", informa. "Esse jogo pode ir para a prorrogação", completou representante do Departamento de Justiça. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.