Martin Acosta/Reuters
Martin Acosta/Reuters

Sul-americanos querem Copa do Catar com 48 seleções

Conmebol entrega carta ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, solicitando sete vagas para a região em 2022

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2018 | 12h14

A Fifa e a Conmebol manobram para convencer os demais cartolas internacionais a aceitar expandir a Copa do Mundo de 2022, no Catar, para 48 seleções, antecipando um aumento de renda de US$ 1 bilhão (R$ 3.387 bilhões). 

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Nesta quinta-feira, num gesto pré-combinado, a direção da Conmebol pediu que a Fifa considere essa possibilidade. Mas a iniciativa já estava sendo trabalhada nos bastidores por Gianni Infantino, presidente da Fifa. Desde o final de 2017, ele vem se reunindo com o Catar e mesmo países da região para os convencer a ampliar o Mundial e até usar o torneio para restabelecer as relações diplomáticas entre os países do Golfo. 

No ano passado, a entidade máxima do futebol havia ampliado o Mundial de 32 para 48 equipes. Mas deixou claro que isso apenas seria realizado a partir de 2026. 

Infantino, vivendo sérios problemas financeiros na Fifa, confessou a dirigentes esportivos que a ideia de antecipar a expansão abriria as portas para que contratos de transmissão e de marketing pudessem ser já fechados com um número maior de seleções. Para a Rússia, a ausência dos EUA, Itália, Holanda e China foram sentidos na receita da entidade. 

O presidente da Fifa, porém, precisava de alguém que apresentasse a proposta, como se ela fosse uma iniciativa regional. Coube, portanto, aos sul-americanos o gesto. "É uma ideia. Vamos estuda-la", respondeu Infantino. O Estado apurou que, instantes antes da carta ser entregue, algumas delegações sul-americanas sequer sabiam de sua existência.

Para os sul-americanos, a expansão representaria ter praticamente todos seus países automaticamente classificados ao Mundial. Pelos planos da Fifa, sete vagas seriam dadas para a Conmebol em uma Copa expandida e, na região, apenas três seleções das que participam das Eliminatórias ficariam de fora. 

A carta, segundo o Estado apurou, vem com um pedido explícito para que sete vagas sejam dadas para a América do Sul no Catar. 

Dentro da Fifa, muitos dos técnicos veem com ceticismo a possibilidade. Isso por conta de todo o plano ter sido desenhado para 64 jogos e 32 delegações. Ao adicionar 16 seleções, todos seus jornalistas e torcedores, a estrutura necessária teria de sofrer um importante salto. 

No total, uma Copa com 48 seleções teria mais de 80 partidas e exigir novos hotéis, campos de treinamento e estrutura. Para complicar, o torneio em quatro anos ocorre na menor sede a jamais realizar um Mundial. 

A alternativa seria a de ampliar as sedes e permitir jogos nos Emirados Arabes Unidos e Bahrein, todos com estádios já prontos. Mas em guerra diplomática com o Catar.

Para a Fifa, a primeira experiência com 48 times deveria ocorrer em 2026. Em junho, a entidade escolherá a sede e abriu a brecha para que, e forma inédita, toda uma região possa realizar o evento. Por isso, México, Canadá e EUA se uniram para apresentar um projeto comum. Para isso, porém, precisarão de doze sedes, contra apenas oito estádio no Catar.

No caso de 2026, o Marrocos também concorre. Mas é justamente a dificuldade em receber 48 seleções que coloca o pleito do país do Norte da África em uma situação de debilidade.

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