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Suspeitas rondam a construção da Arena Corinthians

Dois deputados federais, entre eles o ex-presidente do clube Andrés Sanchez, são alvo de investigação no STF sobre recebimento de propina

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2017 | 07h00

Construída ao custo oficial de R$ 1.080 bilhão, a Arena Corinthians também está envolvida em suspeitas de corrupção. Inquérito que tramita sob segredo de Justiça no Supremo Tribunal Federal (STF) investiga “possível prática criminosa associada à construção da Arena Corinthians” com base em delações de cinco executivos ligados à Odebrecht, entre eles o dono da empresa, Emílio, e seu filho e herdeiro, Marcelo. É apurado suposto recebimento ilegal por parte do ex-presidente do clube e atual deputado federal, Andrés Sanchez (PT). Outro inquérito, também no STF, investiga se o também deputado petista Vicente Cândido teria recebido dinheiro para ajudar a destravar o financiamento do estádio.

Não há detalhes da investigação sobre Andrés, presidente do Corinthians entre 2007 e 2011. Mas há a suspeita de ligação com a prisão, em março de 2016, do vice-presidente do clube, André Luiz de Oliveira, o André Negão, depois que seu nome apareceu numa planilha da Odebrecht sob o codinome ‘Timão’ e ao lado da palavra ‘Alface’. Ele teria recebido R$ 500 mil em propinas, cujo destinatário seria Sanchez, para sua campanha a deputado.

O advogado de Andrés Sanchez, João dos Santos Gomes Filho, rebate. Diz que a construtora não faz qualquer afirmação de pagamentos ao ex-presidente do Corinthians e que André Negão, em depoimento à Polícia Federal - foi preso em flagrante por porte ilegal de armas, durante a Operação Xepa, fase da Lava Jato - negou ter solicitado ou recebido qualquer valor em nome ou a favor de Andrés.

“Nossa posição é de que não há qualquer elemento probatório que sustente um nexo causal mínimo entre o valor apontado (R$ 500 mil) e o seu suposto repasse ao deputado Andrés Sanchez’’, disse Gomes Filho.

À época da denúncia, Andrés, em conversa com a reportagem do Estado, afirmou: “Não é verdade que houve propina na Arena Corinthians para mim ou quem quer que seja. O Corinthians é vítima”.

Em relação a Vicente Cândido, o inquérito apura se ele teria recebido R$ 50 mil para sua campanha para, em troca, “buscar apoio parlamentar na busca de solução para o financiamento do estádio do Corinthians’’. O depoimento foi de Alexandrino Alencar, ex-diretor da Odebrecht.

Cândido, que também é diretor de relações internacionais da CBF, informou por meio de nota que ainda não recebeu nenhuma notificação da Justiça (sobre o inquérito) e não teve acesso aos autos do processo. “Vale ressaltar que os acusadores ainda precisarão provar o que disseram. Neste sentido, tenho certeza de minha idoneidade e me coloco a disposição para quaisquer esclarecimentos à justiça.’’

Em sua delação, Marcelo Odebrecht disse que a construção da Arena Corinthians foi um pedido do ex-presidente Lula a seu pai, Emílio, e que ele tocou a obra a contragosto. “Teve um momento que tentei desistir”, afirmou. “Foi logo após saber que a obra, que era para ser um estádio para 30 mil pessoas, virou um projeto para a Copa... Você entra no atoleiro e não sabe como sair depois.”

CARTEL

Outro crime envolvendo arenas da Copa foi o estabelecimento de cartel. De acordo com ex-executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, as empresas e consórcios que executaram as obras do Mané Garrincha e das arenas Pernambuco, Castelão e Fonte Nova foram decididas pelo cartel das construtores. O Mineirão só não entrou no “pacote’’ porque, depois de acertado que a reforma seria feita pela Andrade, o projeto foi transformado em PPP. Há um inquérito administrativo no Cade sobre a denúncia e alguns depoentes teriam colocado dúvida sobre a existência efetiva do cartel.

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