1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Tata, o parceiro de Muricy na trajetória de sucesso

Giuliano Villa Nova, do Estadão

19 Novembro 2007 | 09h 07

Mário Felipe Peres trabalha como auxiliar do treinador desde 1999, quando estiveram na Portuguesa Santista

O título brasileiro de 2007 do São Paulo foi a sétima conquista consecutiva do técnico Muricy Ramalho, desde 2001. Mas ele está longe de ter alcançado o sucesso sozinho e deve boa parte das vitórias ao seu auxiliar Tata. A parceria começou em 1999, na Portuguesa Santista, e não parou de dar frutos desde então.   "Somos amigos desde a infância e isso facilita o entrosamento", contou Tata, de 54 anos. "Mas o importante é que temos uma visão de futebol semelhante, pois aprendemos tudo na prática, como atletas."   De fato, Mário Felipe Peres, o Tata, foi um jogador habilidoso e participou de times memoráveis da Portuguesa e do Juventus nos anos 70. Encerrou a carreira no São José e dirigiu várias equipes, até se reencontrar com Muricy. No primeiro trabalho, levaram a Portuguesa Santista à segunda fase do Campeonato Paulista de 1999.   Mas até atingirem a consagração, a dupla penou. Trabalharam duro para tirar o Náutico da fila de 11 anos sem título e levaram o clube ao bicampeonato pernambucano em 2001 e 2002. A performance chamou a atenção do Internacional, que passava por sérios problemas financeiras.   "Foi uma grande oportunidade no Inter, mas a situação era complicada", lembrou Tata. "Tínhamos apenas três ou quatro profissionais para montar a equipe. O restante eram garotos das categorias de base."   Assim, Muricy e Tata tiraram leite de pedra e deram dois títulos do Campeonato Gaúcho ao Inter, em 2003 e 2005. "Foi um trabalho gratificante porque revelamos jogadores importantes, casos do Nilmar e do Daniel Carvalho", revelou o auxiliar técnico.   Surpresa   Ninguém esperava, porém, que os dois fossem capazes de superar os grandes clubes de São Paulo. Mas com um elenco versátil, que tinha, entre outros, Mineiro e Marcinho, levaram o São Caetano ao título paulista em 2004. "Teve um sabor especial, porque tínhamos uma equipe muito boa", disse Tata.   No ano seguinte, após o triunfo no Campeonato Gaúcho, Tata sofreu a maior decepção da carreira, quando viu o Internacional perder a taça do Brasileirão de 2005 no escândalo envolvendo o árbitro Edilson Pereira de Carvalho. "De uma hora para outra, caímos para o terceiro lugar. Os jogadores sentiram o baque e foi muito difícil reanimá-los", admitiu o auxiliar de Muricy. "Felizmente, o time se recuperou e ainda conseguiu a vaga na Libertadores."   Por ironia do destino, meses depois, Tata e Muricy duelaram contra os antigos comandados do Inter na final da Libertadores, quando ambos já estavam no São Paulo. "Eles ficaram constrangidos por nos enfrentar", explicou o auxiliar. "Mas formaram uma equipe muito boa, que mereceu ser campeã do mundo [o clube gaúcho venceu o título mundial daquele ano, após derrotar o São Paulo na final do torneio continental]."   Apesar de já ter conquistado dois títulos brasileiros pelo São Paulo, Tata revela que o trabalho não foi fácil. "Pegamos uma equipe que já havia conquistado tudo e tivemos de motivá-la a buscar novos títulos", contou o auxiliar de Muricy, que aponta a transição de 2006 para 2007 como problemática. "Foi muito duro perder o Josué e o Mineiro. Foi preciso muita conversa até que o Richarlyson e o Hernanes se entendessem."   Na comissão técnica são-paulina, a função de Tata é obter informações sobre os rivais e passá-las a Muricy. E o auxiliar reconhece que a observação é sua principal qualidade. "Somos fanáticos por futebol, assistimos a todos os jogos que podemos", disse Tata. "Morávamos no mesmo prédio em Porto Alegre. Sempre que havia um jogo na televisão, a gente se telefonava, para ver se assistíamos à mesma partida. É assim até hoje."