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Táticas de sedução garantem vitória de Gianni Infantino na Fifa

Suíço prometeu dinheiro, mais vagas em Copas e cargos para chegar à presidência

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Jamil Chade,
O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2016 | 07h00

A única vez em que Gianni Infantino participou de uma eleição antes da votação de ontem foi ainda no colegial. Ao Estado, ele contou que ganhou o pleito por que prometeu aos coleguinhas que sua mãe iria lavar os uniformes do time de futebol da escola do interior da Suíça. Trinta anos depois, foram promessas de dinheiro, vagas em Copas e cargos que o garantiram no posto máximo do futebol mundial.

Se as negociações começaram há meses, foi a madrugada entre quinta-feira e sexta-feira que definiu seus votos. Nos principais hotéis de Zurique, a noite foi de tensão. O principal concorrente de Infantino, o xeque Salman Al Khalifa, se reuniu com as principais federações do mundo. 

A constatação de que haveria uma ofensiva árabe obrigou Infantino a falar, de novo, com as delegações, moldando suas promessas às necessidades de cada grupo.

Para países da Oceania e Concacaf, ele garantiu que aumentaria as vagas no Mundial de 32 para 40 times, mesmo que para isso tivesse de enfrentar a ira dos clubes europeus, e ganhou todos os votos - ele ainda disse que iria investir em infraestrutura no Caribe e para a África, que gostou da ideia de receber mais dinheiro. 

Mas o suíço também procurou atender ao seu continente. Ofereceu aos grandes times da Europa um lugar privilegiado dentro da estrutura da entidade, com voz e voto na definição dos futuros torneios e mesmo no calendário internacional. 

Aos sul-americanos, fez a promessa de aprimorar o mecanismo de ressarcimento nas negociações de atletas com a Europa. Deu, ainda, atenção à proposta da Argentina e Uruguai de realizar uma Copa conjunta em 2030. Infantino indicou que estaria disposto a implementar “Mundiais regionais”. A operação de sedução funcionou. 

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