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Esportes

Antero Greco

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Os serviços de meteorologia preveem para amanhã ocorrência de trovoadas esparsas e temperatura em ligeiro declínio em São Paulo. É o fim do verão que se aproxima, com tons de cinza, sobre a capital do Estado. Já os serviços de medição de paciência de torcida pressagiam para o mesmo dia clima quente, com tendência de alta, além da possibilidade de chuvas de vaias e cornetadas intensas no Allianz Parque, a partir das 21h45.

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Antero Greco

02 Março 2016 | 03h00

Nesse horário, o Palmeiras entrará em campo para enfrentar o Rosario Central, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa Libertadores. Marcelo Oliveira e rapaziada retornam para o palco doméstico, quatro dias após o vareio de bola na derrota por 2 a 1 para a Ferroviária, com a certeza de casa cheia. E, no mínimo, com a ligeira desconfiança de que o público cobrará atuação convincente desde a primeira assoprada que o juiz paraguaio Enrique Caceres der no apito.

O palestrino anda com pé e meio atrás em relação à equipe. Como não é dado a requintes de tolerância e desdenha do estoicismo, ainda no domingo soltou verbo e grito para cima de atletas e treinador, no momento em que se retiravam para os vestiários, depois do fiasco contra o pessoal de Araraquara. O aviso ali foi bem claro e sonoro: apoio haverá, desde que o estímulo venha dos artistas e do diretor da trupe.

Em português claro, o palmeirense não tem gostado nem um pouco das derrapadas da equipe e teme vexames. Nem tanto no Paulista; o torneio estadual não entra na lista de prioridades. Embora ninguém deixará de festejar a eventualidade de um título. O pavor da brutta figura se concentra na competição sul-americana. Dissemina-se a preocupação de que a euforia com a conquista da Copa do Brasil possa morrer logo na primeira etapa do torneio.

Pesadelo justificável. O Palmeiras em oito apresentações oficiais em 2016 coleciona duas vitórias, quatro empates e duas derrotas. Os números em si não significariam grande coisa, pois se trata de início de temporada, com as restrições de praxe: reforma no elenco, jogadores em busca de maior condicionamento, ajustes no esquema. Passaram a preocupar a partir do momento em que a bola da equipe se mostra murcha, gasta e sem graça.

O Palmeiras não jogou nada até agora, mesmo com o benefício do prazo de validade, aqueles jogos de largada de ano que servem como aperitivo. Marcelo Oliveira tem à disposição três dúzias de profissionais, testou um monte e não conseguiu até o presente tirar algo que transmita confiança. Sobra oscilação em todos os setores em proporção idêntica à ausência de ousadia. Um doce para quem detectar qual a estratégia tática preferida pelo técnico.

Há uma agravante: o Palmeiras é dos raros clubes que conseguiram manter o elenco intacto. Contam-se nos dedos de uma mão as baixas de 2015 pra cá. E a baciada que chegou nem tem presença marcante no grupo titular. Quer dizer, o time continua parecido com aquele que bateu o Santos, na final da Copa do Brasil, em dezembro, o que pressupõe que o entrosamento deveria estar implícito.

Não há clima de catástrofe; ignorância apelar para alarmismo. Assim como não se pode fechar os olhos e fingir que tudo corre placidamente pelas bandas da Turiaçu que agora virou rua Palestra Itália. A cisma do torcedor é fato e só desaparecerá se a equipe reagir. A sorte está nos pés de jogadores e na cabeça de Marcelo. A reviravolta passa por vitória convincente diante do Rosario.

Tempo sereno. O Corinthians funciona como contraponto do Palmeiras. O desmanche no campeão brasileiro foi lascado e a tragédia anunciada não deu as caras. A sequência de vitórias e empates tem permitido para Tite fazer correções de rumo sem a ansiedade da plateia no cangote. Quer dizer que o Corinthians está ótimo? Nem por sonho – e pode ter dificuldade hoje contra o Santa Fe e mais adiante, nas etapas de mata-mata. Mas a maré favorável ajuda na autoestima e acelera a recuperação.

A temperatura no Palmeiras sobe e o time está sujeito a chuvas de vaia e cornetadas

ANTERO GRECO

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