Tic tic nervoso

Têm sido frequentes chiliques palmeirenses em público. Hora de tomar chá de melissa

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2017 | 03h00

Atire a primeira pedra quem nunca perdeu a paciência no trabalho e teve chilique. Levante a mão aquele que jamais discutiu com um colega ou com um chefe. Difícil, não? Pois é, desentendimentos “na firma” ocorrem – não agradam, mas fazem parte do mundo corporativo. E, em geral, se mostram casos isolados, resolvidos logo em seguida. Só não podem tornar-se frequentes, recorrentes, rotineiros. Daí, tem coisa malparada...

Por que o parágrafo acima? Porque no Palmeiras têm surgido, com alguma regularidade, notas sobre desentendimentos em público, sejam na forma de bate-boca entre jogadores ou altercações entre o preparador físicos Osmar Feitosa e atletas. Sem contar o piti extraordinário de Eduardo Baptista, após a vitória sobre o Peñarol, em Montevidéu, poucos dias antes de perder o cargo para a volta de Cuca.

Transparência e liberdade de expressão devem ser incentivados, mesmo que vez ou outra se manifestem com veemência. Mas, no caso alviverde, talvez se entrevejam indícios de sensibilidade à flor da pele, um ponto acima do normal. Seria a pressão por bons resultados que leva à instabilidade? Ou a cobrança por maior eficiência de boleiros e comissão técnica? A busca por um lugar de destaque? A inconstância nos resultados? Os motivos devem ser escarafunchados e limados logo.

Cuca já notou o desajuste, em pouco tempo de retorno à casa em que foi campeão nacional no ano passado. E trata de aplicar o remédio da conversa ao pé do ouvido para debelar os sintomas de nervosismo. O Palmeiras sofre com oscilações no desempenho e no comportamento. Por isso, ficou fora da decisão do Paulista, passou alguns momentos de sufoco na Libertadores, ganhou o primeiro duelo com o Inter por placar apertado, na Copa do Brasil, e perdeu no sábado para a Chapecoense na segunda rodada do Brasileiro. Juntem-se a isso os bate-bocas e eis a receita para entornar o caldo...

Bom teste para avaliar o equilíbrio da tropa está marcado para hoje, no jogo com o Atlético Tucumán, pela última rodada da Libertadores. Em circunstâncias normais, seria só cumprimento de tabela. A derrota para o Jorge Wilstermann fez com que a briga pelas vagas ficasse aberta, e até o rival argentino desta noite, no Allianz Parque, está na parada. Nem me passa pela cabeça a possibilidade de o Palmeiras ficar fora. Mas ninguém se classifica nem é eliminado de véspera. Então...

Então que a equipe verde faça o que se espera dela, para enfim responder “Presente!” na competição sul-americana, na qual entrou como candidata ao título e não para a função de coadjuvante. E que seja incisiva como no segundo tempo do memorável jogo fora de casa com o Peñarol. Caso contrário, a tendência é a de aumentar o tic-tic nervoso, como dizia a canção do saudoso Kid Vinil, palestrino que no final de semana decidiu ir tocar no céu. 

ASSIM NÃO, CHAPE!

A Chapecoense achou que poderia peitar a Conmebol ao escalar o zagueiro Luiz Otavio na partida com o Lanús, na rodada anterior da Libertadores. O rapaz estava suspenso, mas a informação chegou poucas horas antes do apito inicial. Os catarinenses se julgaram no direito de ignorar a ordem e pagaram para ver: ganharam por 2 a 1 (Luiz Otavio fez um gol), mas perderam por 3 a 0 no tapetão. A Conmebol é bagunçada, sem dúvida. Mas, se mandou a notificação em tempo, para que escalá-lo? A troco de que mexer nesse vespeiro? E assim termina a aventura.

BOLA CANTADA

Quer dizer que dois ex-governadores do Distrito Federal foram presos por irregularidades na construção do Mané Garrincha?! Até que enfim. Quem vai ao estádio vê que, nem que fossem estruturas de ouro, valeria o R$ 1,5 bi gasto ali. Aliás, o acabamento lá é bem ruinzinho.

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