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Tinga se cala nesta sexta, mas quer lutar contra racismo

Guilherme Faria - Agência Estado

14 Fevereiro 2014 | 21h 34

Jogador quer evitar alimentar ainda mais a polêmica em que se viu envolvido na quarta-feira

BELO HORIZONTE - Tinga resolveu se calar nesta sexta-feira. Para não alimentar ainda mais a polêmica em que se viu envolvido ao se tornar vítima de atos racistas na última quarta-feira, no Peru, o jogador do Cruzeiro não deu entrevistas. Participou normalmente do treinamento de sua equipe, na Toca da Raposa II, em Belo Horizonte, mas não falou com os jornalistas.

Porém, os insultos racistas sofridos pelo atleta em Huancayo continuaram a repercutir entre os seus companheiros. O zagueiro Dedé lamentou o mal-estar que o episódio gerou na família de Tinga e voltou a criticar a atitude de torcedores da equipe peruana. "Fomos muito bem recebidos no Peru, mas o comportamento de parte da torcida manchou tudo. Não é do meu feitio ter ódio de ninguém, mas espero nunca mais pisar lá".

Tadeu Oliveira, empresário de Tinga, acredita que seu cliente pode usar de maneira positiva os insultos de que foi vítima. "Evidentemente foi um episódio que Tinga não gostaria que ocorresse com ele, mas está disposto em usar o que aconteceu no Peru para fazer com que o racismo acabe, principalmente no esporte", contou o agente, que trabalha com o jogador há 17 anos.

O procurador ainda afirma que o volante pretende se tornar um dos precursores na luta pela igualdade racial no futebol, sem tirar proveito do episódio para fazer "marketing pessoal".

APOIO DOS RIVAIS

Mesmo sem a presença da torcida do Cruzeiro, Tinga será homenageado no clássico deste domingo contra o Atlético, no estádio Independência, pelo Campeonato Mineiro. Pelas redes sociais, atleticanos prometem gritar o nome do jogador da equipe rival antes da partida, além de levar cartazes de apoio ao atleta.