Pedro Martins/MoWa Press
Pedro Martins/MoWa Press

Tite diz que extraiu o melhor de Neymar 'ao diminuir responsabilidade dele'

Técnico da seleção brasileira afirma que 'dividir o peso' entre demais jogadores do elenco fez atacante jogar melhor

Estadão Conteúdo

23 Novembro 2017 | 21h06

Às vésperas da Copa do Mundo da Rússia, no ano que vem, o técnico Tite concedeu entrevista publicada no site da Fifa nesta quinta-feira, em que falou sobre o sucesso de Neymar sob seu comando. Apontado como um dos principais responsáveis pela volta por cima da seleção brasileira, o treinador explicou que sua primeira preocupação com o craque foi tirar um pouco de responsabilidade dele.

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"Tirei o melhor do Neymar ao não torná-lo completamente responsável pela situação e também não desafiar sua responsabilidade. Eu falei com os jogadores e dei uma área de responsabilidade para cada um. Quando se tem um dos três melhores jogadores do mundo, é muito fácil apenas deixar a responsabilidade para ele", declarou.

Para Tite, dividir o peso entre os jogadores fez com que Neymar se sentisse mais solto para jogar seu melhor futebol. "O fato é que cada um é um pouco responsável pelo que acontece. E é aí que o talento criativo e o lado individual de cada um aparece. Eu fiz disso parte essencial do trabalho em equipe. Não deixei para apenas um indivíduo."

Tite também voltou a falar sobre o caráter de Neymar, como já havia feito após o amistoso diante do Japão, quando defendeu o craque das críticas que vinha sofrendo da imprensa francesa por seu comportamento no Paris Saint-Germain. E o comandante listou as qualidade do atacante que mais o surpreenderam neste convívio, dentro e fora de campo.

"Em um nível técnico, me surpreendeu o quão bom passador ele é. Ele pode estar em posições complicadas e ainda colocar seus companheiros de frente para o gol. Então, me surpreendeu. Mas no nível pessoal, ele tem um grande coração. É um bom garoto. Tem um lado apoiador e cuidadoso e muitas pessoas não sabem disso", avaliou.

As qualidades de Neymar não foram os únicos fatores que surpreenderam Tite neste ano e meio no cargo. Apesar de vir de um clube grande como o Corinthians, onde foi bastante vitorioso, o treinador admitiu que não esperava a intensidade da pressão no comando da seleção.

"Eu achava que teria muita pressão, mas não tanta quanto de fato há. Toda a responsabilidade, estar sob os olhares do público, o quanto o País segue a seleção... Na teoria, é uma coisa. Mas viver isso é algo completamente diferente", considerou.

E como era de se esperar, diante de tanta pressão, a vida do treinador mudou completamente. "Eu me fecho um pouco mais agora. Não estou tão confortável assim com a falta de privacidade. Eu passo um pouco mais de tempo com a família, em casa, lendo livros, vendo jogos na TV. Minha esposa já era mais assim, mas eu tento ter mais privacidade agora."

Tite ainda comentou sobre a pressão extra de assumir uma seleção ainda juntando os cacos da histórica goleada em casa por 7 a 1 para a Alemanha, nas semifinais da Copa do Mundo de 2014. E por mais que ainda estivesse distante de chegar ao cargo - Dunga seria o sucessor de Luiz Felipe Scolari -, o treinador garantiu que o resultado também o impactou diretamente.

"Aquele resultado se tornou uma cobrança muito grande para os técnicos brasileiros e aumentou a pressão em todos nós. Foi uma grande decepção para os jogadores que perderam a Copa, mas também levou os técnicos a procurarem mais conhecimento, tentar evoluir e desenvolver nos aspectos táticos e metodológicos. Procuramos nos equiparar, trocar informações com os treinadores europeus e melhorar", afirmou.

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