Título compensa sacrifício paraguaio

O que faz alguém deixar de lado a família, o trabalho e os estudos para viajar dois dias em um ônibus do Paraguai para o Brasil, em condições precárias, para acompanhar um time, no caso o Olimpia, que entra em desvantagem em uma partida decisiva da Libertadores? "É uma paixão incontrolável", tentou explicar o designer gráfico paraguaio Marcelo Vega. Para ele, não importava se a sua equipe, que completou 100 anos na última quinta-feira, tinha poucas chances. A idéia é estar com o Olimpia onde quer que ele fosse. E o sacrifício valeu a pena, após a conquista do título sobre o São Caetano. A vantagem do São Caetano não foi suficiente para tirar o entusiasmo do comerciante Armando Cespedes, outro que veio do Paraguai para assistir à final no Pacaembu. "Acho que o time vai ganhar. Sinto que vamos conseguir esta taça", afirmava antes do final do jogo. Para ele, todo o sacrifício valia a pena pelo sonho de ver o time ser campeão no centenário: uma viagem de dois dias e dez horas de espera, ocupados em passeios por pontos turísticos da cidade. Diego Ugarte, que morou dois anos no Brasil, explicou em bom português que a paixão do paraguaio pelo futebol é diferente da do brasileiro. "Lá é só um time. Não é como aqui que os torcedores de outros times vem ajudar." Um brasileiro, porém, era exceção no Pacaembu. O office-boy corintiano Pedro Ribeiro Jr. engrossou a torcida paraguaia do Olimpia. "Sou Corintians sempre e torço contra qualquer outro time brasileiro?, justificou.

Agencia Estado,

01 Agosto 2002 | 01h08

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