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Torcedores avaliam primeiro teste oficial da Arena Corinthians

Almir Leite, Rafael Fiuza e Vítor Marques - O Estado de S. Paulo

18 Maio 2014 | 17h 09

Problemas como acesso viário, filas e até goteiras no setor coberto foram constatados na inauguração

SÃO PAULO - O dia 18 de maio ficará marcado pela data que, enfim, o Corinthians apresentou à sua exigente torcida o novo estádio. Mas não serão apenas boas lembranças que permanecerão na memória dos torcedores e público presente na Arena Corinthians. Problemas como acesso viário, filas na entrada do estádio e até goteiras no setor coberto foram constatados na inauguração do estádio padrão Fifa, que será palco da abertura da Copa do Mundo.

O relógio apontava 12h52 quando a fila começou a crescer nas entradas da Arena Corinthians. Com ingressos esgotados pela internet, o público esperado era de 40 mil torcedores. E os torcedores que conseguiram chegar com antecedência, utilizaram o sistema público de transporte. Durante a semana, o site oficial do Corinthians apresentou algumas dicas para quem utilizaria o metrô, com acesso pela entrada Oeste, na estação Artur Alvim e pela entrada Leste, para os torcedores que viriam da Estação Corinthians-Itaquera.

Após se informar, Rafael Cadede, de 26 anos, decidiu utilizar o transporte público e demorou cerca de 25 minutos no percurso entre a estação Jardim São Paulo, na zona norte de São Paulo, para a estação Corinthians-Itaquera, na zona leste. "Achei melhor deixar o carro em casa e acertei na decisão. Agora preciso ver se meu lugar ainda será mantido no estádio", disse o torcedor que tinha ingresso com cadeira marcada.

Para os torcedores que utilizaram o carro para chegar à Arena Corinthians, a experiência foi péssima. O trânsito era caótico nas imediações do estádio. Muitos ficaram bloqueados durante o período que antecedera o jogo, principalmente nas vias de acesso da Radial Leste, onde o trânsito era intenso.

VALOR DO INGRESSO

Outro motivo de reclamação foi o valor dos ingressos. Acostumados a pagar um preço até 350% inferior, torcedores aproveitaram para exigir tratamento semelhante ao valor pago. Entre as opções, os sócio-torcedores que utilizavam o plano Minha História deixaram de pagar R$ 70 no ingresso para comprar as opções no setor Leste (R$ 180) ou Oeste (R$ 250).

Outros torcedores que não conseguiram o ingresso arriscaram a ida até o estádio na tentativa de comprar a entrada de visitantes, em bilheterias ou até cambistas. Saíram frustrados em todas as opções. O agente de turismo, Vinicius Freitas, viu na internet que haveria ingressos para visitantes e tentou comprar uma entrada. Porém, ao chegar ao local, encontrou um bloqueio da Polícia Militar e foi informado que os ingressos não seriam mais disponibilizados. "Vou ficar um pouco aqui e se não conseguir comprar ingressos vou assistir ao jogo em casa mesmo", disse o torcedor. 

Adelino Frota, de 79 anos, estava doente e não sabia que os ingressos seriam vendidos somente pela internet. "Acompanho o Corinthians desde Sócrates e Biro-Biro e hoje ninguém me deixa entrar. Deveriam colocar uma bilheteria aqui", reclamou Frota. Dezenas de pessoas ficaram nos arredores do Itaquerão sem ingressos. Edson Brandão veio com um grupo com mais cinco pessoas de Diadema. "Se a gente não conseguir ingresso, a ideia é procurar um bar e assistir ao jogo de lá", disse.

DENTRO DA ARENA

Afastado do estádio, alguns cambistas venderam bilhetes por até R$ 400. Dentro da Arena Corinthians, os problemas continuaram. O acesso à internet ficava cada vez mais instável, conforme o público aumentava. Com o sinal fraco, não era possível fazer ligações dos celulares, um problema que preocupa a Fifa para a Copa do Mundo.

No fim do primeiro tempo da partida contra o Figueirense, uma forte chuva caiu em Itaquera, com direito a granizo. Segundo relato de alguns torcedores no setor Leste superior do estádio - a parte coberta -, alguns espectadores se molharam pois havia goteiras no local. Uma parte da cobertura ainda não está pronta.

ACESSO

O acesso à Arena Corinthians por metrô e trem foi rápido e tranquilo. A linha expressa da CPTM a partir da Estação da Luz começou a funcionar exatamente às 13 horas, como planejado, e o trem percorria o trecho até a estação Itaquera nos prometidos 19 minutos também. Em alguns momentos, os vagões, tanto do metrô quanto da CPTM, receberam um número maior de passageiros, mas sem superlotação.

TRÂNSITO

O trânsito foi o grande problema no acesso ao Itaquerão. Como foram feitos bloqueios no entorno do estádio - na Radial Leste a partir da estação Artur Alvim do metrô, a cerca de 2 km da entrada - e do centro de Itaquera a aproximadamente 700 metros da arena -, formou-se grandes congestionamentos a partir das 13 horas. Ressalte-se que os organizadores pediram para que o transporte público fosse utilizado para ir ao estádio.

SINALIZAÇÃO

A sinalização estática nas ruas e avenidas na região de Itaquera apresentou deficiências. Os carros credenciados, por exemplo, foram desviados para as ruas de trânsito local, mas não havia placas indicativas nem funcionários da CET para informar o caminho. Alguns marronzinhos consultados pelo Estado na Radial Leste admitiram não saber indicar o trajeto.

ORIENTAÇÃO

De maneira geral, funcionou bem. Tanto os 250 orientadores do COL quanto os destacados pelo Corinthians (o número correto não foi revelado), todos bastante animados, indicavam com cordialidade e precisão o acesso ao torcedor dentro e fora da arena. De acordo com relato de torcedores, ocorreram problemas pontuais de má orientação. Dentro da arena, os orientadores tiveram dificuldade com a recusa de muitos torcedores em se sentar no lugar indicado pelo ingresso, mas não houve tumulto no acesso aos setores. Algumas filas se formaram para ganhar o estádio corintiano.