Assine o Estadão
assine

Esportes

ANTERO GRECO

Torcer para o rival

O Palmeiras encontra-se numa situação enjoada no Paulista. Último colocado – isso mesmo, lanterna – do Grupo B, não depende mais de seu esforço para superar o turno. No momento, precisa fazer a parte que lhe cabe e ainda torcer por combinações de tropeços de Ituano, Novorizontino, Ponte Preta e São Bernardo, todos à frente dele. Só dois seguem adiante.

0

ANTERO GRECO,
O Estado de S.Paulo

30 Março 2016 | 03h00

Mas aporrinhamento pra valer é ficar na esperança de ajudinha de rivais. Por exemplo, do Corinthians. A turma de Tite tem a maior pontuação até agora – 29 contra 15 dos palestrinos – e hoje à noite recebe a Ponte em Itaquera. Uma vitória não refresca a vida alviverde, mas anima para o duelo de amanhã com o Rio Claro no Pacaembu, campo alternativo, uma vez que o Allianz está vetado.

Claro que cada um cuida dos próprios problemas e auxílio indireto ocorre com frequência e espontaneidade. No caso do Palmeiras, vira motivo adicional para gozação. E não há como contestar, porque se trata de constatação: se a equipe campineira aprontar e ganhar do Corinthians, aumenta a diferença. A Ponte no momento tem 16 pontos, assim como o São Bernardo. Novorizontino e Ituano estão com 18.

Para arrepiar os cabelos esparsos de Cuca, há a inclinação de Tite de mandar mistão a campo. Na teoria, a opção torna o Corinthians mais fraco. Se servir de alento, vale lembrar que, mesmo com reservas em penca, o campeão brasileiro obteve bons resultados no Estadual. E não será novidade se a torcida incentivar, por birra, para que tire um pouco o pé. Um empate satisfaz.

Enfim, situação chata para burro, porém criada por incompetência de clube que tem dos elencos mais variados e caros do Brasil e que tem negado fogo a torto e a direito. O Palmeiras chega a três rodadas do encerramento da primeira fase com 4 vitórias, contra 3 empates e 5 derrotas. Campanha ridícula. Pior: flerta até com rebaixamento – e neste ano cairão os seis piores.

Cuca anda de cabeça quente, assim como jogadores, torcida e direção. Por isso, aceitou levar o elenco para Atibaia para espairecer e para fugir um pouco da pressão. No jogo com o Rio Claro (o pior retrospecto junto com o Capivariano, com 9 pontos) deve sair a quinta escalação diferente na quinta aparição sob o novo comando.

Salvo mudanças de última hora, devem jogar Fernando Prass; Jean, Thiago Martins, Vitor Hugo e Egídio; Arouca e Matheus Sales; Allione, Robinho e Gabriel Jesus; Alecsandro. Ou seja, mais marcação no meio e enésima tentativa na frente. Há obrigação de ganhar e de preparar-se para o clássico de domingo justamente contra o Corinthians. De novo, adversário histórico e tradicional no caminho verde...

Ah, Santos... O Santos levou tremendo chapéu na negociação de Neymar com o Barcelona. No final das contas, ganhou uns trocados por aquilo que vale o principal jogador revelado pelo Brasil nos últimos anos. Para agravar a dor, ainda recebe multa da Fifa por procedimento incorreto na transação. É trapalhada demais.

Ah, a Alemanha... Os campeões do mundo deram derrapadas recentemente, com a derrota de virada por 3 a 2 diante da Inglaterra, em amistoso na semana passada, em casa. Junta-se aos tropeços o fato de alguns jogadores da vitoriosa jornada na Copa de 2014 terem caído de rendimento. A soma de problemas levou a preocupação em torno do futuro do grupo de Joachim Löw na Eurocopa, em junho, na França.

Pois bem, a resposta veio nesta terça-feira. Os alemães, com muitas alterações, receberam a Itália e não tiveram piedade: ganharam por 4 a 1, na melhor apresentação da temporada. A equipe germânica mostrou que manterá a tradição de entrar para brigar por título, o normal em qualquer torneio de que participa.

A Squadra Azzurra, ao contrário, revelou fragilidade que há muito não se via. Falta-lhe tudo: consistência na defesa, no meio-campo e talento no ataque. Só brilhará por milagre.

Mais conteúdo sobre:

Comentários